domingo, 27 de julho de 2014

Fitoterápicos em Síndrome de Tourette

A procura por tratamentos ditos "naturais" para as diversas doenças é muito comum. Coloco naturais entre aspas pois mesmo as substâncias naturais das plantas são compostos químicos e agem da mesma forma nos receptores do nosso organismo. A diferença entre os fitoterápicos e os medicamentos ditos alopáticos é que os segundos são sintetizados em laboratório. Mas, no fundo, são medicamentos do mesmo modo, com efeitos colaterais, variados graus de eficácia e muitas vezes tão caros quanto os alopáticos. Assim, a escolha pelos fitoterápicos, em geral,  tem mais a ver com uma escolha filosófica do paciente do que com uma verdadeira indicação médica.
O artigo a seguir (coloco o resumo), avaliou dois fitoterápicos da medicina chinesa para a ST.

 2014 Feb 7;9(1):6. doi: 10.1186/1749-8546-9-6.

Herbal medicines for treating tic disorders: a systematic review of randomised controlled trials.

Abstract

BACKGROUND:

It was reported that 64% of tic disorder patients used complementary and alternative medicine. This review aims to evaluate the efficacy of herbal medicines in treating tic disorders.

METHODS:

We searched eight databases including MEDLINE and CINAHL from their respective inceptions up to September 2013. The search terms were related to the concept of "herbal medicine" AND "tic disorder OR Tourette's syndrome". We included randomised controlled trials (RCTs) of any type of herbal medicines. We assessed the methodological quality of the trials according to the Cochrane risk of bias criteria.

RESULTS:

Sixty one studies were identified, and four RCTs met the inclusion criteria. Two types of herbal medicines, Qufeng Zhidong Recipe (QZR) decoction and Ningdong (ND) granules, were used in the included RCTs. All four RCTs had a high risk of bias. Two RCTs tested the effects of QZR on the Yale Global Tic Severity Scale (YGTSS) score and response rate compared with conventional medicine. The meta-analysis showed significant effects of QZR on the YGTSS score with high statistical heterogeneity (n = 142; weighted mean difference: -18.34; 95% confidence interval (CI): -23.07 to -13.60; I2 = 97%) and the response rate (n = 142; risk ratio: 1.69; 95% CI: 1.39 to 2.06; I2 = 0%). One RCT compared ND granules with placebo and showed significant effects on the YGTSS score and response rate. The other RCT show significant effects of ND granules plus conventional medicine on the response rate compared with conventional medicine only.

CONCLUSION:

This systematic review provided first piece of limited meta-analytic evidence for the effectiveness of herbal medicines in improving the symptoms of tic disorders.
PMID:
 
24507013
 
[PubMed] 
PMCID:
 
PMC3930107
 
Free PMC Article 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Resposta ao artigo dos dois psicanalistas a respeito da Portaria 986/2014 da Secretaria do Município de São Paulo a respeito da Ritalina

A resposta abaixo é referente ao artigo publicado na Folha-clique aqui para ver o artigo
Sintoma de Desatenção não é TDAH. Mas Falta de Atenção à Saúde das Crianças Brasileiras é Doença Política.
A respeito do comentário publicado por Ilana Katz e Paulo Schiller enaltecendo a portaria de 12 de junho de 2014 (nº 986/2014) da Secretaria do Município  de São Paulo, que regulamenta o uso de metilfenidato (Ritalina e Concerta) na rede pública de saúde do município:
Em primeiro lugar, afirmamos que estamos plenamente de acordo com a frase “nem toda agitação ou desatenção é doença”. Isso é o mesmo que dizer que nem toda dor de cabeça é um tumor cerebral. A pergunta é: quando são doença e quais? Para isso existe a avaliação psiquiátrica, de preferência por especialistas na infância e na adolescência. A melhor resposta só pode ser dada após um diagnóstico diferencial preciso, separando as causas orgânicas das psicológicas, das educacionais etc. e fazendo um diagnóstico complexo que englobe as várias instâncias envolvidas no mundo mental e comportamental de um indivíduo. Os psiquiatras infantis não são prescritores contumazes que querem robotizar as crianças. A constatação de que a prescrição de Ritalina aumentou no Brasil não traduz um excesso de diagnóstico iatrogênico e sim uma série de fatores que são benéficos para a população:
1-      Mais diagnósticos corretos sendo feitos, quando antes o diagnóstico era equivocado e as crianças recebiam antipsicóticos ou anticonvulsivantes;
2-      Disponibilidade de metilfenidato no SUS. Antes as famílias tinham que comprar a medicação prescrita por profissionais da rede particular ou suplementar ou então tinham que se contentar em administrar antipsicóticos e anticonvulsivantes que recebiam do SUS;
3-      Maior presença de psiquiatras infantis e neuropediatras capacitados para fazer um diagnóstico correto;
Desse modo, com base na prevalência de TDAH no Brasil e no mundo podemos afirmar que a quantidade de crianças e adolescentes que está sendo atualmente tratada ainda está abaixo da real demanda. E a opinião dos beneficiados, os pais e as crianças e adolescentes que melhoram com o tratamento, deve ser ouvida e veiculada.
Não é verdade que o diagnóstico de TDAH exclui a avaliação das relações familiares, o ambiente escolar ou a subjetividade da criança. Isso pode ser que ocorra, mas maus profissionais existem em todas as profissões, em todas as áreas. Não podemos penalizar as crianças que precisam de tratamento com base na existência de maus profissionais na rede pública. O que devemos fazer é exigir que os profissionais da Rede façam cursos de capacitação e atualização e melhorar a qualidade da atenção dada na Saúde Pública.
O Governo deve investir em Educação e Saúde prover recursos para tratamentos com evidências científicas como uso de metilfenidato e outros medicamentos, psicoterapia e intervenções pedagógicas, e não reduzir o investimento em Saúde alegando que o problema é a prescrição de Ritalina.
O protocolo recém- publicado não é um avanço, é um retrocesso, pois limita a prescrição de uma medicação eficaz e barata, restringe a idade de seu uso, os locais de prescrição e a liberdade do médico exercer a Medicina.  
Por acaso proíbem a venda de carros pelo fato de haver pessoas que dirigem mal e matam outras no trânsito?  
Ana Hounie (CREMESP 94382), Ivete Gattás (CREMESP 48588) e Sheila Caetano (CREMESP 95770), Psiquiatras Geral e da Infância e da Adolescência e psicoterapeutas .   


terça-feira, 17 de junho de 2014

Infecções e tourette

Já sabíamos pela prática clínica que os tiques podem ser desencadeados por infecções e que os pacientes com Tourette são mais suscetíveis a infecções. O estudo que acaba de ser publicado comparou um grupo de portadores de ST e um grupo controle em relação a receptores TLR em monócitos CD4 (células de defesa), CD14 solúvel e a resposta ao estímulo com LPS, que simula infecção bacteriana. Resumidamente, os controles se defenderam melhor que os portadores de Tourette, indicando que há uma falha no sistema imunológico dos portadores de ST. 



 2014 Jun 9:1-6. [Epub ahead of print]

Impaired activation of the innate immune response to bacterial challenge in Tourette syndrome.

Abstract

Objectives. Infections resulting in immune activation have been proposed to play an etiological role in a subgroup of patients with Tourette syndrome (TS). Methods. In order to further characterize the interaction between pathogens and the innate immune system the toll-like receptor (TLR) 4 on CD14 + monocytes and soluble CD14 (sCD14) levels were analyzed in the serum of 33 Tourette patients and 31 healthy controls. Moreover, collected blood samples were stimulated with lipopolysaccharide (LPS) mimicking a bacterial infection. TLR4 was analysed by flow cytometry, sCD14 was analysed by enzyme-linked immunosorbent assay. Results. Patients had a lower receptor expression of TLR4 after stimulation with LPS (P = 0.045) and higher levels of sCD14 (unstimulated P = 0.014, after LPS P = 0.045). The increase in TLR4 expression after stimulation with LPS was significantly higher in the control group (P = 0.041). Conclusions. Higher levels of sCD14, lower levels of TLR4 expression after stimulation and a diminished up-regulation of TLR4 expression after LPS stimulation in patients might represent an impaired activation of the innate immune response in TS, especially in regard to bacterial infection. The impaired response to pathogens could eventually lead to a higher susceptibility for infections. Recurring infections and a chronic inflammation could trigger and maintain the symptoms of TS.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Redação de uma menina com Síndrome de Tourette

Esta semana atendi uma menina com ST. Seus pais me trouxeram sua redação, que me emocionou enormemente e eu pedi autorização para publicá-la , anonimamente é claro.
Esta redação, uma redação feita na e para a  escola, mostra o sofrimento que os portadores de Tourette passam devido à incompreensão dos próprios tiques, de seu caráter involuntário e das zombarias dos colegas.

 

domingo, 25 de maio de 2014

Tenho Tourette: conto ou não conto às pessoas com quem convivo?

Essa é uma questão que preocupa muito os pais de quem tem Tourette e os próprios portadores de tiques. Oriento que para decidir como lidar com essa situação conversem com seu psiquiatra e com seu terapeuta. Mas vou elencar aqui alguns tópicos para que ajudem a pensar no tema:
1- Preconceito: as pessoas têm medo de dizer que sofrem de algum problema mental pois existe muito preconceito. É verdade. Não há problema nenhum em dizer "sou diabético", "tenho pressão alta" ou "estou gripado". No entanto, dizer "tenho depressão", "tenho Tourette" pode levantar a pulga de que a pessoa é louca, é doente mental, não é inteligente etc. E isso dá medo: como vão nos olhar se souberem que fazemos coisas que não queremos? Se por um lado ao esconder nossas dificuldades estamos nos protegendo de julgamentos alheios, por outro lado, estaremos perpetuando o preconceito, pois estamos nos comportando como os errados fôssemos nós e não a sociedade preconceituosa. Além disso, como combater o preconceito se não educamos as pessoas sobre o que de fato é o nosso problema?
2- Conseguir tolerância e ajuda: se as pessoas não sabem de nossas dificuldades e nossos limites, como poderão nos compreender e nos respeitar? Por exemplo, se uma pessoa com coprolalia não explica que tem tiques involuntários, será considerada mal-educada. No entanto, se explicar que tem um tique que é difícil de controlar que a faz dizer coisas que não deve, existe a possibilidade de que as pessoas consigam ignorar esse comportamento, pois não se sentirão pessoalmente ofendidas.
3- Estímulo à solidariedade: vivemos em um mundo individualista. Se nos retraímos e escondemos os nossos problemas, como poderemos esperar que as relações se modifiquem? Como esperar que o mundo se torne mais solidário se não pedimos solidariedade?
4- A união faz a força: se todos os que sofrem de um determinado problema se juntam em sua dor, encontram forças para lutarem juntos por uma causa comum. Para falar mais alto, devem falar em uníssono. Assim, aumentam as chances de que sejam ouvidos em suas necessidades e requisições.

Sei que falar é fácil e a realidade é bem difícil. Atendo muitos profissionais competentíssimos que sofrem com a ST (médicos, empresários, engenheiros, delegados,até um piloto de avião!) e preferem não se expor. A situação é de fato delicada, em especial para quem ainda não está bem colocado no meio profissional. Temem ter tiques em uma entrevista e serem reprovados. Temem ser discriminados quando surgem oportunidades de promoção. Tudo isso pode de fato acontecer e continuará acontecendo se não houver mais informação disponível para reduzir o preconceito.
Em relação às crianças é mais fácil, pois elas estão em formação e a escola é o lugar da educação e também do aprendizado da tolerância social. E as crianças recebem as informações com muito menos preconceito. Por isso é fundamental que nas escolas seja dito abertamente que fulano tem tiques quando for necessário; isso pode acabar com o bullying.

Enfim, o preconceito deve ser combatido por todos, mas cada um sabe de seus limites e até onde pode ir nessa causa. E lembrando que hoje é diferente de amanhã. Se hoje não for possível , amanhã talvez seja.

  

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Capítulo sobre neuropsicocirurgia da Resolução do Conselho Federal de Medicina (aplica-se às cirurgias para TOC e Tourette refratários a tratamento)

RESOLUÇÃO CFM nº 2.057/13


Consolida as diversas resoluções da área da Psiquiatria e reitera os princípios universais de proteção ao ser humano, à defesa do ato médico privativo de psiquiatras e aos critérios mínimos de segurança para os estabelecimentos hospitalares ou de assistência psiquiátrica de quaisquer naturezas, definindo também o modelo de anamnese e roteiro pericial em psiquiatria.

O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, no uso das atribuições que lhe confere a Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, alterada pela Lei nº 11.000, de 15 de dezembro de 2004, regulamentada pelo Decreto nº 44.045, de 19 de julho de 1958, e Decreto nº 6.821, de 14 de abril de 2009, e a Lei 12.842/13, de 10 de julho de 2013, e

CONSIDERANDO a necessidade de serem criadas normas brasileiras que estejam em consonância com a Constituição Federal, com o disposto no Decreto-lei nº 20.931/32, artigos 15 e 16 e respectivos incisos, alíneas e parágrafos, artigos 24 a 29 e parágrafos, com a Lei nº 3.999/61, artigo 15, com a Lei nº 10.216/01, com o Código de Ética Médica e com base na Resolução CFM nº 1.952/10, que adota as diretrizes para um modelo de assistência integral em saúde mental no Brasil;

CONSIDERANDO que deve ser proporcionada assistência psiquiátrica efetiva, que garanta aos pacientes o atendimento de suas necessidades de saúde em qualquer ambiente (hospitalar, ambulatorial, em consultório isolado ou em ambientes comunitários), de acordo com as necessidades de cada indivíduo; CONSIDERANDO a necessidade de regulamentar as terapêuticas psiquiátricas disponíveis, bem como o tratamento involuntário e compulsório quando necessário;

CONSIDERANDO, finalmente, o decidido na sessão plenária de 20 de setembro de 2013, 

CAPÍTULO VIII

DA NEUROPSICOCIRURGIA 


Art. 19.  A neuropsicocirurgia e quaisquer tratamentos invasivos e irreversíveis para doenças mentais não devem ser realizados em pacientes que estejam involuntária ou compulsoriamente internados em estabelecimento de assistência psiquiátrica, exceto com prévia autorização judicial, obedecendo ao prerrequisito de fundamentação mediante laudo médico.
§ 1º  Nos demais casos, segundo os ditames da Lei nº 10.216/01 e do Código de Ética Médica, deverão ser precedidos de consentimento esclarecido do paciente ou de seu responsável legal e aprovação pela Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho Regional de Medicina, homologada por seu plenário. § 2º  A Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho Regional de Medicina contará em sua composição, obrigatoriamente, com a presença de conselheiro. § 3º  Cabe à Câmara Técnica de Psiquiatria elaborar o parecer conclusivo que deverá ser apreciado pelo plenário do Conselho Regional de Medicina, para só então ser autorizado o procedimento.
§4º  Caso necessário, a Câmara Técnica de Psiquiatria poderá requisitar o concurso de profissionais de áreas afins à Medicina, para avaliações complementares.
Art. 20.  A indicação de neuropsicocirurgia deverá ser feita pelo médico assistente e respaldada por meio de laudo, por um psiquiatra e um neurocirurgião pertencentes a serviços diversos daquele do médico que a prescreveu.
§ 1º  Este laudo deve ser original, destacando em sua conclusão o diagnóstico da doença, bem como duração e refratariedade a toda a medicação disponível indicada àquele caso e a todos os tratamentos coadjuvantes aplicados sem resposta.
§ 2º  Neste documento, deverá constar a indicação do melhor método cirúrgico a ser adotado, emitido pelo neurocirurgião.
§ 3º  Os casos omissos ou com potenciais conflitos devem ser encaminhados ao Conselho Federal de Medicina, para avaliação e deliberação em parecer conclusivo e conjunto das câmaras técnicas de Psiquiatria e Neurocirurgia.
§ 4º  A indicação de neuropsicocirurgia deverá observar os seguintes critérios:
a)    Diagnóstico psiquiátrico realizado observando-se a Classificação
Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à
Saúde, em sua versão atualizada (CID-10);
b)    Doença mental com duração mínima de 5 anos, a não ser em casos excepcionais, referendada por junta médica formada por um psiquiatra e um neurocirurgião, designados pelo presidente do Conselho Regional de Medicina para produzir contraprovas, obedecendo ao rito previsto no art.
19 e parágrafos;
c)    Refratariedade da doença ou transtorno aos tratamentos psiquiátricos, adequado àquela condição clínica.
§ 5°  A câmara técnica, ao se manifestar, deverá estar convencida de que o tratamento proposto é o que melhor atende às necessidades de saúde do paciente.
§ 6º  Todo este procedimento será registrado em prontuário, permanecendo, com os devidos resguardos ao sigilo, à disposição das autoridades constituídas.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Música de Marty Denton sobre sua vida com Tourette

Clique para ver o vídeo. Uma música lindíssima , tocante, sobre uma pessoa que vive há sessenta anos com seus tiques. 
abaixo, uma tradução , adaptada da tradução de NG, mãe de um portador de ST grave, que gentilmente traduziu para os companheiros de facebook e eu me dei a liberdade de pegar emprestado.
“Lembro-me de quando eu era apenas um menino 
Eu disse Mamma algo está errado, 
Por que eu faço essas coisas que eu faço? 
Será que elas vão estar aqui por muito tempo? 
Ela me abraçou e chorou e disse "vc  vai ficar bem ",
Basta andar com a cabeça erguida que você vai ser livre um dia.

Será que algum dia vai embora
Bem, alguns me deixaram, mas outros ficaram. 
Sempre ficando no meu caminho 
Mas, mesmo depois de todos esses anos 
Minha amiga ilumina meu dia 
Ela me dá esperança e me faz lembrar 
O que a minha mamãe costumava dizer 
Coro
“A sombra ao meu lado se tornou minha melhor amiga, 
Ela nunca riu de mim ou virou as costas e sorriu. 
Tudo o que eu faria, ela iria fazer também. 
A sombra ao meu lado, com certeza me ajudou a seguir adiante.”

Coro

Perguntei-lhe por que não posso ser como todo mundo? 
Com lágrimas nos olhos, ela me segurou perto 
E disse que basta ser você mesmo,

Coro 

A sombra ao meu lado se tornou minha melhor amiga,
Ela nunca iria rir de mim ou virar as costas ou sorrir
Às vezes, tarde da noite, ela está lá, à luz das velas,
A sombra do meu lado ainda ajuda e faz tudo ficar bem. 
À sombra ao meu lado, obrigada minha amiga."

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Papel do Magnésio na Síndrome de Tourette

O magnésio é um mineral essencial utilizado na síntese de proteínas, no transporte de energia e em mais de 300 reações químicas que ocorrem diariamente no organismo. O magnésio que ajuda as células nervosas e músculos funcionar corretamente. Você pode obter o magnésio em alimentos como vegetais de folhas verdes, carne, peixe, feijões, ervilhas e bananas. Você também pode obter magnésio de suplementos alimentares. Foi publicado em uma revista científica um projeto que comparará pacientes com Tourette tomando magnésio com pacientes tomando um placebo. Ainda não foi publicado nenhum resultado do estudo. Estou começando a dar magnésio a meus pacientes. Em breve espero poder postar resultados desta experiência aberta, não controlada.

sábado, 3 de maio de 2014

Coprolalia na síndrome de Tourette

A coprolalia, ou seja, o tique vocal de falar palavrões, foi considerado por muito tempo o sinal patognomônico da síndrome de Tourette após a publicação dos 9 casos feita por Gilles de La Tourette a pedido de Charcot em 1889. Posteriormente, ao verificar-se que a coprolalia não era tão frequente assim, deixou de fazer parte necessária para o diagnóstico.
Acaba de sair um novo estudo que tenta elucidar quais as características que acompanham a presença de coprolalia na ST. Os autores encontraram que  um quarto apresentava algum coprofenômeno. A média de idade de início foi 12 anos, variando de 4 a 33 anos de idade. Os casos que apresentavam esses sintomas eram os que mais frequentemente tinham comorbidades e tinham os casos mais graves, indicando que talvez a presença de coprolalia possa refletir uma maior gravidade e maior acometimento de regiões cerebrais.  


 2014;48(1):1-7. doi: 10.1016/j.pjnns.2013.03.001. Epub 2014 Jan 23.

Coprolalia and copropraxia in patients with Gilles de la Tourette syndrome.

Abstract

BACKGROUND AND PURPOSE:

Involuntary expression of socially unacceptable words (coprolalia) or gestures (copropraxia) is the best-known symptom of Gilles de Tourette syndrome (GTS) that contributes to the social impairment. The aim of the study was to assess the prevalence, age at onset and co-occurring symptoms of coprophenomena.

MATERIALS AND METHODS:

One hundred and sixty-eight consecutive subjects with GTS including 94 adults and 74 children and aged between 4 and 54 years (mean: 18.0±8.3) were studied. Demographic and clinical data were obtained from medical history and neurological examination.

RESULTS:

Coprolalia or copropraxia appeared in 44 patients. Both coprophenomena were present in 9 patients. Coprolalia occurred in 25.0% (n=42) and copropraxia in 6.5% (n=11) of patients. Mean age at onset was 12.2±5.7 years (range: 4-33) for coprolalia and 12.4±4.9 years (range: 7-24) for copropraxia. Coprolalia started 4.4±3.7 years (range: 0-16) after the onset of disease; copropraxia started 6.1±4.0 years (range: 1-12) after the onset of the disease. Coprolalia began in adulthood in six patients only, and copropraxia in one person. In six patients, coprolalia appeared in the first year of the disease. Copropraxia was never seen in the first year of the disease. Coprophenomena were more frequent in patients with comorbid mental disorders, behavioral problems and severe tics. Three quarters of patients reported significant influence of coprophenomena on daily living.

CONCLUSIONS:

Coprophenomena affect one quarter of GTS patients, appear in the time when tics are most severe, and are positively associated with comorbidity and more severe form of disease. Coprophenomena may reflect more widespread dysfunction of brain in GTS.
Copyright © 2014 Polish Neurological Society. Published by Elsevier Urban & Partner Sp. z o.o. All rights reserved.

Exercício Físico melhora os tiques?

Acaba de ser publicado um estudo em que 18 jovens com ST foram observado antes, durante e após a realização de exercícios físicos.
Os tiques melhoraram durante e depois dos exercícios além de ter havido melhora em ansiedade e depressão.
Assim, continua em pé a recomendação de que esportes e exercícios físicos em geral podem ajudar no tratamento dos tiques.

 2014 Apr 28. [Epub ahead of print]

Reduced Tic Symptomatology in Tourette Syndrome After an Acute Bout of Exercise: An Observational Study.

Abstract

In light of descriptive accounts of attenuating effects of physical activity on tics, we used an experimental design to assess the impact of an acute bout of aerobic exercise on tic expression in young people (N = 18) with Tourette Syndrome (TS). We compared video-based tic frequency estimates obtained during an exercise session with tic rates obtained during pre-exercise (baseline) and post-exercise interview-based sessions. Results showed significantly reduced tic rates during the exercise session compared with baseline, suggesting that acute exercise has an attenuating effect on tics. Tic rates also remained reduced relative to baseline during the post-exercise session, likely reflecting a sustained effect of exercise on tic reduction. Parallel to the observed tic attenuation, exercise also had a beneficial impact on self-reported anxiety and mood levels. The present findings provide novel empirical evidence for the beneficial effect of exercise on TS symptomatology bearing important research and clinical implications.

domingo, 20 de abril de 2014

Meu filho tem tique de piscar os olhos: e agora?

Muitos pais trazem seus filhos para consulta quando observam tiques de piscar os olhos em seus filhos. A maioria vai primeiro ao oculista, ao alergologista, ao neurologista e por fim ao psiquiatra. O artigo abaixo relata um estudo que foi feito com crianças de 8 anos em acompanhamento por alguns anos (média de 6 anos) e que de início apresentavam tiques de olhos: piscar, rodar e abrir os olhos forçadamente e não tinham um diagnóstico de Tourette ou TOC. Das 32 crianças que foram reavaliadas, 10, ou seja, 1/3, preenchia critérios para ST. Ou seja, embora este seja um estudo pequeno, mostra que há 33% de chance de que tiques nos olhos possam ser o início de um quadro de Tourette.         

J 2014 Feb;18(1):31-5. doi: 10.1016/j.jaapos.2013.11.007.

The long-term outcomes of ocular tics in a pediatric neuro-ophthalmology practice.

Abstract

PURPOSE:

To describe the outcome and comorbidities of ocular tics in children evaluated by a pediatric neuro-ophthalmologist.

METHODS:

The medical records of all consecutive patients in a pediatric neuro-ophthalmology practice diagnosed with ocular tics (eye rolling, blinking, and widening) were retrospectively reviewed. Children with known secondary causes for tics were excluded. Patients, parents, and/or guardians were contacted by telephone to obtain follow-up information.

RESULTS:

A total of 43 patients were included in the retrospective cohort, with a mean age of 7.8 ± 4.8 years at diagnosis. Thirty-two patients participated in the follow-up survey, with an average follow-up of 6.1 ± 3.9 years. None of the 43 children carried a diagnosis of Tourette syndrome or obsessive-compulsive disorder (OCD) at presentation; 1 child had attention deficit hyperactivity disorder (ADHD). At follow-up, 14 of the 32 children (44%) had persistent ocular tics, 3 (9%) reported new nonocular motor tics, 5 (16%) reported new vocal tics, and 4 (13%) developed both nonocular motor and vocal tics. One patient (3%) was formally diagnosed with Tourette syndrome during the follow-up interval, and 3 (9%) were diagnosed with ADHD.

CONCLUSIONS:

Almost half of the children with ocular tics at presentation had persistent ocular tics on follow-up. New nonocular motor and vocal tics occurred in several patients.

Coprolalia e copropraxia em Tourette

 2014;48(1):1-7. doi: 10.1016/j.pjnns.2013.03.001. Epub 2014 Jan 23.

Coprolalia and copropraxia in patients with Gilles de la Tourette syndrome.

Abstract

BACKGROUND AND PURPOSE:

Involuntary expression of socially unacceptable words (coprolalia) or gestures (copropraxia) is the best-known symptom of Gilles de Tourette syndrome (GTS) that contributes to the social impairment. The aim of the study was to assess the prevalence, age at onset and co-occurring symptoms of coprophenomena.

MATERIALS AND METHODS:

One hundred and sixty-eight consecutive subjects with GTS including 94 adults and 74 children and aged between 4 and 54 years (mean: 18.0±8.3) were studied. Demographic and clinical data were obtained from medical history and neurological examination.

RESULTS:

Coprolalia or copropraxia appeared in 44 patients. Both coprophenomena were present in 9 patients. Coprolalia occurred in 25.0% (n=42) and copropraxia in 6.5% (n=11) of patients. Mean age at onset was 12.2±5.7 years (range: 4-33) for coprolalia and 12.4±4.9 years (range: 7-24) for copropraxia. Coprolalia started 4.4±3.7 years (range: 0-16) after the onset of disease; copropraxia started 6.1±4.0 years (range: 1-12) after the onset of the disease. Coprolalia began in adulthood in six patients only, and copropraxia in one person. In six patients, coprolalia appeared in the first year of the disease. Copropraxia was never seen in the first year of the disease. Coprophenomena were more frequent in patients with comorbid mental disorders, behavioral problems and severe tics. Three quarters of patients reported significant influence of coprophenomena on daily living.

CONCLUSIONS:

Coprophenomena affect one quarter of GTS patients, appear in the time when tics are most severe, and are positively associated with comorbidity and more severe form of disease. Coprophenomena may reflect more widespread dysfunction of brain in GTS.
Copyright © 2014 Polish Neurological Society. Published by Elsevier Urban & Partner Sp. z o.o. All rights reserved.

domingo, 6 de abril de 2014

Tourette e Alergias

Na prática clínica eu já tinha percebido que as crianças com Tourette tinha e grande frequência doenças alérgicas tais como rinite, bronquite, asma etc. Alguns pacientes meus desenvolveram Púrpura Trombocitopênica que é uma reação a medicamento com baixa das plaquetas e que parece ter origem autoimune.
Dada a frequência da associação entre rinite alérgica e os tiques de nariz (mexer o nariz, fungar etc), atualmente é prática corrente eu tratar a rinite dos pacientes além de tratar os tiques, sendo o resultado muito melhor.
Pois bem, começaram a aparecer estudos que comprovam a associação entre doenças alérgicas e a Tourette:
 2014 Feb;18(3):303-10.

Association of Tourette syndrome and obsessive-compulsive disorder with allergic diseases in children and adolescents: a preliminary study.

Abstract

OBJECTIVES:

To investigate the rate of allergic diseases including asthma, allergic rhinitis and eczema in children and adolescents diagnosed with obsessive-compulsive disorder (OCD) (n:26) and/or Tourette syndrome (TS) (n:32) [OCD plus TS, n:13] compared to control subjects (n:35) [total, n:80].

PATIENTS AND METHODS:

The symptoms of any allergic disease were assessed using the ISAAC questionnaire form. Allergy diagnoses were made by a pediatric allergy specialist. Skin prick tests were applied, and IgE levels and eosinophil counts were measured.

RESULTS:

While only one-fifth of the control subjects had allergic diseases, more than half of the children with TS and/or OCD had comorbid allergic diseases. Positive skin prick tests were greater in OCD patients compared to control subjects. There were no significant differences between the groups in terms of eosinophil counts or IgE levels. Among the allergic diseases, while allergic rhinitis was diagnosed at significantly higher rates in TS patients, eczema was significantly higher in OCD patients compared to control subjects.

CONCLUSIONS:

This preliminary study shows an association between allergic diseases and TS and/or OCD. The results revealing differences in associations between types of allergic disease (rhinitis or eczema) and neuropsychiatric disorder (tic disorder or OCD) need to be investigated in further studies with higher numbers of participants, and immune markers should be examined.
PMID:
 
24563428
 
[PubMed - in process] 
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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Luz no Fim do Túnel antes da cirurgia para Tourette?

Existe um dentista americano, chamado Brendan Stack,  que trata transtornos do movimento, incluindo tiques, com um aparelho dental que modifica a posição da articulação têmporo-mandibular e, pelo fato de mudar a pressão sobre o quinto nervo craniano , reduziria o estímulo ao sistema nervoso central, diminuindo os tiques.

Ele tem uma página na internet, onde mostra vídeos de pacientes com várias patologias, inclusive casos com Tourette, que melhoram muito com o tratamento.
vejam os links aqui:

http://www.tmjstack.com/videos.html

https://www.youtube.com/watch?v=WyBbVutYsqg

Fiquei muito intrigada com esses resultados incríveis e entrei em contato com um dentista que trata apneia do sono com aparelhos orais e estamos trabalhando para testar esse tratamento em casos graves que não têm melhorado com medicação.


Quando tiver alguma boa novidade postarei aqui.