segunda-feira, 16 de julho de 2018

Canabidiol no autismo


O autismo é uma síndrome que não tem tratamento medicamentoso específico. Os problemas centrais do autismo são dificuldade na socialização, interesses restritos, comportamentos estereotipados. Para estas dificuldades, indica-se a terapia comportamental, de preferência com modelos específicos para autismo, como o ABA.  
Entretanto, existem muitos problemas associados que necessitam de tratamento medicamentoso por exemplo, agressividade, crises convulsivas (epilepsia ocorre em até 50% dos autistas), tiques, hiperatividade, déficit de atenção, entre outros.
Assim, o tratamento do autismo será escolhido caso a caso de acordo com o perfil de sintomas. O canabidiol têm-se tornado uma ferramenta para estes casos que não melhoram com medicamentos convencionais. Trata-se de terapia experimental, não havendo estudos grandes e controlados que comprovem sua eficácia. Mas, com base nas propriedades do THC e do CBD e no resultado que se encontra no tratamento de outras patologias, pode-se concluir que no autismo também poderia ser benéfico. Os sintomas que podem melhorar com o uso de canabidiol são: crises convulsivas, falta de apetite, agressividade, insônia, tiques, interação social, cognição, déficit de atenção, hiperatividade. Segundo Bou Khalil, um médico-psiquiatra  israelense, o canabidiol age como agonista do TRPV2 aumentando a liberação de vasopressina e oxitocina, que têm sido estudadas no autismo.


domingo, 15 de julho de 2018

Canabidiol na síndrome de Tourette



Na síndrome de Tourette temos a possibilidade de usar, em casos refratários, o canabidiol. Relatos de uso de maconha com melhora dos tiques na síndrome de Tourette começaram a ser relatadas a partir de 1999. Os primeiro relatos foram observações clínicas de pacientes que usavam a maconha fumada de forma recreativa mas que relataram aos seus médicos a melhora dos sintomas. A partir daí teve início pesquisa na área , de início com THC e posteriormente com o Sativex, que contém a mistura de THC e CBD em proporções iguais. O Sativex começou a ser comercializado no Brasil com o nome de Mevatyl desde 2017. A ANVISA permite a importação de canabidiol com pouco ou nada de THC, que foi aprovada inicialmente pensando nos pacientes com epilepsia refratária. No entanto, os estudos têm ampliado as indicações terapêuticas e muitas doenças podem ser tratadas com a associação de canabinoides ao tratamento convencional, muitas vezes permitindo que as doses dos medicamentos tradicionais sejam reduzidas. 

As opções para tratamento com canabinoides são diversas, por exemplo, temos o Mevatyl, com concentração semelhante de THC e CBD, temos essas substâncias sintetizadas em laboratório, por exemplo o dronabinol (THC sintético) e formas medicinais da canabis que podem ser em cápsula ou óleo e usadas por via oral ou vaporizada. 
Em relação ao tratamento da síndrome de Tourette, há relatos de melhora tanto com a mistura de THC e CBD, como o uso deles isoladamente. Não sabemos quem se beneficiará de uma ou outra forma, então juntamente com seu médico, você pode discutir os objetivos do tratamento e escolher a melhor forma a ser adquirida.

Embora a maconha medicinal esteja ganhando seu espaço, ainda permanece o alerta de que isso não significa que fumar maconha seja benéfico para a saúde. Além dos malefícios relacionados à fumaça e que causam mal tal qual o cigarro de nicotina, a maconha fumada e vendida ilegalmente, especialmente a maconha prensada, contém variantes de canabinoides ricos em THC, com concentrações acima das concentrações de CBD, tornando-a passível de desencadear surtos psicóticos, além de conter vários contaminantes. 

Para quem tiver interesse, visite o site da associação brasileira  de pacientes de canabis  medicinal: http://amame.org.br 


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sobre o canabidiol



Cada vez mais produtos com canabidiol estão sendo usados no Brasil. O canabidiol é eficaz para muitas doenças, algumas já com bastante evidência de eficácia, outras menos. Antes de falar sobre o tratamento com canabidiol vou resumir aqui alguns dados importantes para tentar reduzir a confusão que há entre grande parte das pessoas sobre a relação entre canabidiol e maconha.
A maconha, ou canabis sativa, é uma planta da qual se pode extrair centenas de canabinóides. Dentre estes, os mais conhecidos são o THC (tetrahidrocanabinol) e o CBD (canabidiol). Além dos canabinóides, a planta fornece terpenos e outras substâncias. O THC é conhecido pelo seu poder psicodisléptico (“dá barato”) e por isso é usado como droga recreativa. A forma de uso da maconha para esse fim é principalmente a forma de cigarro. As espécies de maconha têm sido geneticamente modificadas para gerar variantes com cada vez maiores taxas de THC, elevando seu potencial de causar dependência e desencadear surtos psicóticos.
O CBD tem várias propriedades terapêuticas, inclusive ação antipsicótica. Existem variantes de maconha com altos teores de CBD. Estas espécies são usadas para fins medicinais.
O THC e o CBD podem ser combinados para oferecer benefícios relacionados às duas substâncias, sendo o CBD protetor contra os efeitos psicotogênicos do THC. Assim, espécies com as duas substâncias ou mistura de espécies são utilizadas para fins medicinais.
As formas medicinais disponíveis no Brasil são em forma de óleo (extrato) ou spray (Mevatyl). A ANVISA autorizou a importação dos óleos de canabidiol que contém zero ou quase zero de THC. O Mevatyl tem TCH e CBD em iguais proporções, por isso não é importado, mas produzido no Brasil por uma empresa Canadense.
Deixando claros esses conceitos, vamos falar quais patologias podem ser tratadas com essas substâncias:
Epilepsia refratária
Síndrome de Tourette
Autismo
Agressividade
Dores crônicas
Esquizofrenia
Transtorno bipolar
Várias outras
Ou seja, suas propriedades são diversas e para alguns casos graves que não respondem aos medicamentos tradicionais, podem ser uma ótima saída.
Como sempre , lembro que automedicação é perigoso. Atualmente já existem mais de 700 médicos no Brasil prescrevendo canabidiol, então o ideal é buscar um médico qualificado que saiba escolher dentre as diversas opções quais seriam adequadas para cada caso.

domingo, 31 de dezembro de 2017

10 Dicas Práticas para manter os tiques sob controle


1-      Durma bem
2-      Tenha uma dieta saudável
a.       Sem “junk food”
b.       Frutas e vegetais crus e variados, de preferência orgânicos
c.       Use stevia, mel em vez de adoçantes ou açúcar refinado
d.       Evite gordura hidrogenada, gordura trans, comidas artificiais e soja
e.       Beba muita água
f.        Se possível, consuma carne também orgânica
g.       Coma nozes e grãos
h.       Evite refrigerantes, em especial os que contêm cafeína

3-      Combata a ansiedade (com relaxamento, meditação, EMDR, psicoterapia etc)
4-      Tenha horas de lazer fazendo o que gosta
5-      Trabalhe no que gosta
6-      Pratique o autoconhecimento- aprenda a identificar seus sentimentos e emoções e perceber quais pioram seus tiques. Se você não tem muito boa capacidade de auto-observação, procure um terapeuta para te ajudar
7-      Saiba quais são os seus limites para ter controle sobre sua vida
8-      Cuide de seu corpo com atividades como Ioga, relaxamento, alongamento, Rolfing
9-      Ouça música relaxante

10-   Informe-se sobre Tourette através de boas fontes. Lembre que cada indivíduo é único e o que serviu para outra pessoa pode não ser o melhor para você. Consulte seu médico. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Tiques, Tourette e Dieta

Existe relação entre os tiques e a dieta?
A prevalência de Tourette na população geral é estimada em 1% e quando se considera a população de crianças e adolescentes pode chegar até a 3,8%. Tiques crônicos motores ou vocais, e tiques transitórios atingem até 30% da população geral. Sabemos que os antipsicóticos são os medicamentos mais eficazes no controle dos tiques. No entanto, uma percentagem de pessoas não responde a essas medicações e para elas precisamos de alternativas. Existem relatos de pais de que os tiques pioram quando da ingestão de determinadas comidas, em especial as que contém cafeína ou açúcar refinado. Até agora não existem estudos científicos que comprovam que alguma dieta específica ajude no controle dos tiques.
Existem alguns relatos de que ômega 3 ou óleo de linhaça e vitamina C podem ser benéficos para redução de sintomas do espectro autista e de TDAH.
Em relação a Tourette existem poucos estudos, com amostras pequenas e resultados conflitantes.
Do ponto de vista teórico, a ausência de magnésio aumenta a liberação de dopamina, o que pior aos tiques, então a suplementação com magnésio poderia melhorar os tiques.
Estimulantes como cafeína podem piorar os tiques por aumento dos efeitos da  dopamina por mecanismos intermediários.
Alimentos com açúcar refinado que aumentam a glicose rapidamente provocam alterações de humor, piora de sintomas de TDAH  além de estudos terem feito relação entre o açúcar e diabetes, câncer e obesidade. Em relação aos tiques, em alguns casos, o consumo poderia piorar os tiques.
A deficiência de ferro pode levar a alterações de humor e déficit de concentração. Em relação aos tiques, pode levar a redução da capacidade do córtex cerebral em controlar os tiques.
Intolerância ao glúten deve ser testada quando se observa uma piora de tiques após consumo de produtos que contém glúten.

A conclusão é que um estilo de vida saudável com uma dieta saudável e nutritiva pode ter impacto na redução dos tiques, mesmo que os estudos científicos ainda não tenham chegado a conclusões irrefutáveis.      

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Tourette e comorbidades

A ST raramente vem sozinha, em geral vem acompanhada de outros problemas do neurodesenvolvimento.
A mais comum é o TDAH. Há um contínuo que vai de ST com TDAH e transtornos de aprendizagem (como dislexia,, por exemplo, até um quadro mais complexo como ST+ autismo.
Por isso é importante ser avaliado por um psiquiatra infantil ou com expertise em Tourette e suas comorbidades.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Importância da ferritina e do ferro na Síndrome de Tourette


A ferritina sérica é a medida mais usada para se avaliar a reserva de ferro do nosso organismo. Um estudo de 2006 tinha encontrado em portadores de Tourette níveis mais baixos de ferritina assim como tamanhos menores de caudado e putamen (duas estruturas dos gânglios da base que se relacionam à ST) quando comparados a controles. Isso sugeriu que baixos níveis de ferro pudessem afetar o caudado e o putamen e dessa forma deixar as pessoas mais sensíveis ou predispostas a tiques. Com isso em mente duas pesquisadoras  acabaram de publicar um trabalho (Debabrata Ghosh e Elizabeth Burkman) em que avaliaram se a gravidade dos tiques estava relacionada aos níveis de ferritina e se a suplementação com ferro melhoraria os tiques e a qualidade de vida das pessoas com Tourette. Estudaram 57 pacientes e não encontraram relação entre ferritina e gravidade de tiques, mas quando suplementaram os pacientes que estavam com ferritina baixa, a maioria teve uma melhora dos tiques durante o seguimento, que durou um ano.
Fica difícil saber se há uma relação direta entre a suplementação de ferro a melhora dos tiques, pois os tiques variam bastante ao longo do tempo e muitos outros fatores podem ter sido responsáveis pela melhora. Além disso, a quantidade de pacientes estudada foi pequena.

De qualquer modo, a suplementação com ferro quando a ferritina está baixa está indicada, então, independentemente de que seja favorável ou não para os tiques, pode ser feita.  
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28470381

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Identificado um Gene ligado a Tourette

Copio a notícia na íntegra em inglês, abaixo. Resumidamente, o Consórcio de Genética de Tourette identificou um gene afetado em portadores de Tourette que tinham os pais saudáveis, sem Tourette. O gene se chama WWC1 e está relacionado ao desenvolvimento do sistema neurológico.

Rutgers scientists lead international effort to determine cause of the neuropsychiatric disorder

Damaged Genes Considered High Risk for Developing Tourette Syndrome Identified

Four damaged genes that disrupt the normal development of the brain in those with Tourette syndrome - a neurological condition characterized by vocal and physical tics - have been identified by Rutgers scientists and researchers from across the country involved in an international effort to determine the cause of the disorder.
 In a new study published on May 3 in Neuron, researchers from Rutgers University-New Brunswick, UC San Francisco, Massachusetts General Hospital, the University of Florida, Yale University and other institutions across the world identified one damaged, or mutant, "high confidence" risk gene for Tourette's as well as three others they believe are genes whose mutation is a probable risk for the disorder.
 These findings are important because the genetics of Tourette syndrome has been a mystery. The goal of the continuing study is to identify inherited factors that play a role in causing Tourette's and other related disorders, such as obsessive-compulsive disorder (OCD) and attention-deficit/hyperactivity disorder (ADHD).

"This research is the first of its kind establishing Tourette disorder as a genetic disease similar to other neuropsychiatric disorders like autism, where not just one gene has been identified as the cause," said Jay Tischfield, a senior author of the study. "We are confident that this new information will lead us to the genetic and brain pathways that cause this disorder and enable the development of more effective treatments."
 Tischfield, MacMillan Distinguished Professor of Genetics, and Gary Heiman, associate professor in the Department of Genetics in the School of Arts and Sciences, are part of the Tourette International Collaborative Genetics (TIC Genetics) study - the largest and most comprehensive genomic analysis conducted - that includes scientists and clinicians from the United States, Europe and South Korea.
 The research began a decade ago in New Jersey when Rutgers started collaborating with NJ Center for Tourette Syndrome and Associated Disorders, Inc. (NJCTS) to establish the NJCTS Cell and DNA Repository.
 The study funded with grants from the National Institute of Mental Health and NJCTS included 311 families involved with TIC Genetics in which the child had Tourette syndrome but neither parent was affected. Another study was done through the Tourette Association of America International Consortium for Genetics with 173 similar families and found the same results.
 The one damaged gene that was identified as having a high risk for Tourette syndrome, called WWC1, is involved in brain development and memory. Two of the other damaged genes considered to be probable risks for the disorder are involved in brain circuitry and the third is involved in gene expression which allows a cell to respond to its changing environment.
 "The fact of finding this one gene in two families would be like lightening striking the same individual twice," said Heiman, a senior author on the project. "And it is the reason why it is crucial for us to continue studying families affected by this often debilitating disorder."
 In conducting the study, blood samples were collected from family members to identify rare genetic mutations that are not inherited from their parents but occur spontaneously in affected individuals at birth.
 While many inherited diseases, such as sickle cell anemia, hemophilia and cystic fibrosis, are caused by mutations to a single gene, this new research indicates that Tourette syndrome, like other neuropsychiatric disorders, is the result of multiple gene mutations.
 Rutgers researchers and their colleagues estimate that there are approximately 400 mutated genes that could pose a risk for Tourette syndrome, which affects one out of 100 people.
 The neuropsychiatric disorder - linked to problems in the basal ganglia, the part of the brain responsible for voluntary motor control, procedural learning and eye movement, as well as cognitive and emotional function -- is characterized by grimacing, eye blinking and shoulder shrugging. It is often accompanied by co-occurring conditions, such as depression, obsessive-compulsive disorder or attention deficit disorder.
 Faith Rice, director of NJCTS, and mother of an adult son with the disorder, said those involved in this study are grateful to have been a part of the research.
 "It is very empowering for families to be involved in something that will make a difference," said Rice. "Many are calling me and telling me that for the first time, this is giving them hope."
 Rutgers scientists say more samples from families in which only one child is affected with Tourette's and both parents are available to participate are needed to better understand how these and other damaging mutations lead to Tourette disorder.
 "I want to thank all the individuals with Tourette disorder and their family members from New Jersey, around the country, in Europe and South Korea for their participation and advocacy, said Heiman. "Progress has been slow and disappointing up until now. But I think this research will lead to the development of more specific treatments that are personalized for individuals or groups of people."

**Written by Robin Lally for Rutgers Today on March 3, 2017.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Apnéia do sono em crianças afeta o cérebro

Untreated Sleep Apnoea in Children Can Harm Brain Cells Tied to Cognition, Mood


Março 17, 2017
CHICAGO -- March 17, 2017 -- A study comparing children between 7 and 11 years of age who have moderate or severe obstructive sleep apnoea to children the same age who slept normally, found significant reductions of gray matter in several regions of the brains of children with sleep apnoea. The study was published today in the journal Scientific Reports.
The finding points to a strong connection between this common sleep disturbance, which affects up to 5% of all children, and the loss of neurons or delayed neuronal growth in the developing brain. This extensive reduction of gray matter in children with a treatable disorder provides one more reason for parents of children with symptoms of sleep apnoea to consider early detection and therapy.
"The images of gray matter changes are striking," said one of the study's senior authors, Leila Kheirandish-Gozal, MD, University of Chicago, Chicago, Illinois. "We do not yet have a precise guide to correlate loss of gray matter with specific cognitive deficits, but there is clear evidence of widespread neuronal damage or loss compared to the general population."
For this study, the researchers recruited 16 children with obstructive sleep apnoea (OSA). The children's sleep patterns were evaluated overnight in the University of Chicago's paediatric sleep laboratory. Each child also went through neuro-cognitive testing and had his or her brain scanned with non-invasive magnetic resonance imaging (MRI). Colleagues from the University of California at Los Angeles (UCLA), Los Angeles, California, performed the image analysis.
The researchers compared those scans, plus neuro-cognitive test results, with MRI images from 9 healthy children of the same age, gender, ethnicity and weight, who did not have apnoea. They also compared the 16 children with OSA to 191 MRI scans of children who were part of an existing pediatric-MRI database assembled by the National Institutes of Health.
They found reductions in the volume of gray matter in multiple regions of the brains of children with OSA. These included the frontal cortices (which handle movement, problem solving, memory, language, judgement and impulse control), the prefrontal cortices (complex behaviours, planning, personality), parietal cortices (integrating sensory input), temporal lobe (hearing and selective listening) and the brainstem (controlling cardiovascular and respiratory functions).
Although these gray matter reductions were rather extensive, the direct consequences can be difficult to measure.
"MRI scans give us a bird's eye view of the apnoea-related difference in volume of various parts of the brain, but they don't tell us, at the cellular level, what happened to the affected neurons or when," said co-author David Gozal, MD, University of Chicago. "The scans don't have the resolution to determine whether brain cells have shrunk or been lost completely," he added. "We can't tell exactly when the damage occurred. But previous studies from our group showed that we can connect the severity of the disease with the extent of the cognitive deficits, when such deficits are detectable."
In addition, "we are planning future collaborative studies between the University of Chicago and UCLA that will use state-of-the-art imaging approaches to answer the many questions raised by the current study," said Paul Macey, PhD, who, along with colleague Rajesh Kumar, PhD, led the image analyses at UCLA.
Without extensive tests of cognitive function prior to the onset of sleep apnoea, "we can't measure the effect of the loss of neurons," Dr. Gozal said.
"If you're born with a high IQ - say 180 - and you lose 8 to 10 points, which is about the extent of IQ loss that sleep apnoea will induce on average, that may never become apparent. But if your IQ as a child was average, somewhere around 90 to 100, and you had sleep apnoea that went untreated and lost 8-10 points, that could potentially place you 1 standard deviation below normal," Dr. Gozal said. "No one wants that."
Or, it may just be too soon to measure. The children in this study were between 7 to 11 years old. The connections between greater gray matter volume and intelligence have been documented only in children with an average age of 15.4 years.
"The exact nature of the gray matter reductions and their potential reversibility remain virtually unexplored," the authors conclude, but "altered regional gray matter is likely impacting brain functions, and hence cognitive developmental potential may be at risk." This, they suggest, should prompt "intensive future research efforts in this direction."
SOURCE: University of Chicago Medical Center

http://dgnews.docguide.com/untreated-sleep-apnoea-children-can-harm-brain-cells-tied-cognition-mood?overlay=2&nl_ref=newsletter&pk_campaign=newsletter

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Importância do apoio dos pais para crianças e adolescentes com Tourette

Muitas crianças com ST apresentam além dos tiques, alguma comorbidade, como TOC, déficit de atenção, hiperatividade, transtornos de controle do impulso, depressão, ataques de raiva, entre outros. Assim, a convivência com uma criança com alteração no controle do próprio comportamento pode ser um desafio para os pais e outros familiares e mesmo colegas de classe ou professores. A forma como as outras pessoas reagem a esses comportamentos ou aos próprios tiques determina, ao longo do desenvolvimento, o tipo de ligação afetiva que se estabelece  entre a criança e seus pais. As crianças têm em seus pais uma figura de apoio e proteção e essa relação de confiança é que promove o desenvolvimento de uma personalidade segura, independente.    Essas primeiras relações na vida de uma criança determinarão se ela será um adulto seguro ou inseguro, confiante ou ansioso. Crianças que desenvolvem um perfil de apego inseguro acreditam que os outros são pessoas indisponíveis, que rejeitam ou até prejudicam e desenvolvem um medo crônico de se relacionar com os outros, por medo de abandono ou rejeição.
Um estudo que pesquisou essas relações em famílias de portadores de Tourette verificou que quanto mais as mães se estressavam e  percebiam seus filhos como sendo "difíceis", maior era intensidade dos tiques em seus filhos.  Torna-se importante, portanto, orientar os pais na forma como devem lidar com seus filhos , tanto em relação aos tiques, como em relação a outros comportamentos,  para minimizar o sentimento de rejeição neles gerado e possibilitar um desenvolvimento mais saudável para formar adultos seguros e independentes.
A terapia de Orientação Parental objetiva isso. Em se tratando de crianças, trabalhar os pais é fundamental.    

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Tourette é uma doença rara?

Em primeiro lugar, precisamos definir o que é uma doença rara. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças raras são aquelas que afetam até 65 pessoas a cada 100 mil indivíduos. O número exato de doenças raras ainda é desconhecido, mas atualmente são descritas de sete a oito mil doenças na literatura médica, sendo que 80% delas decorrem de fatores genéticos e os outros 20% estão distribuídos em causas ambientais, infecciosas e imunológicas. Aproximadamente 75% das doenças raras afetam crianças.
A síndrome de Tourette, quando se consideram todos os casos, os graves e aqueles inseridos na comunidade, afeta um total de 1% da população. Essa estatística se baseia em estudos feitos em escolas na comunidade, ou seja, considera inclusive aqueles casos que   nunca chega à atenção médica pois não têm gravidade para tanto.
Os casos mais graves são mais raros e as estimativas são de que afetem 1 em cada 4 mil pessoas.
Considerando esses números, não podemos dizer que a ST seja considerada rara, pois é bastante frequente. No entanto, os casos graves sim.
Apesar de ser relativamente frequente, a maioria dos médicos desconhece a síndrome de Tourette. Quando a reconhece, não possui experiência no seu tratamento. Em geral os médicos que reconhecem a ST são neurologistas.
Qual a importância disto tudo?
A maioria das doenças raras são genéticas ou degenerativas ou cursam com uma deficiência mental, sensorial ou física. Doenças que cursam com deficiência garantem o direito aos portadores que não têm renda de pedirem um auxilio financeiro ao Governo (LOAS). Em geral, isso não se aplica à Síndrome de Tourette. A maioria dos casos com ST têm inteligência normal e não apresenta deficiência física. A maior parte dos casos com ST não apresenta impedimento ao trabalho. O maior problema da ST se dá quando os tiques são de difícil controle, mesmo com medicamentos, gerando estranheza às pessoas do ambiente e preconceito. No caso de crianças e adolescentes, bullying. Isso é um problema da sociedade, do preconceito e da dificuldade de lidar com a diferença.
Quando os tiques são graves, tiram a concentração, são dolorosos ou provocam lesões, o tratamento é necessário para reduzir o incômodo associado a eles. Quando são brandos, às vezes nem sequer é necessário tratamento.

Assim, só o fato de ser portador de Tourette não significa que há necessidade de tratamento. Somente os casos mais graves podem chegar a ser incapacitantes, quando aí sim o portador pode pleitear um auxílio do Governo. A maioria dos casos se beneficia de tratamento e pode ter uma vida plena e normal.     

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Complicações no parto e risco de tiques crônicos/Tourette

A causa dos tiques e da síndrome de Tourette ainda é desconhecida. Há evidências de fatores genéticos e ambientais. Os fatores de risco pré e perinatais têm sido investigados. Um estudo que acaba de ser publicado confirma que prematuridade está associada a tiques crônicos.  O Consórcio Internacional de Genética avaliou dados de 586 participantes com Tourette. As análises demonstraram que  parto prematuro e náusea grave na gestação estavam associados a maior risco de tiques crônicos . Outros problemas no parto com complicações neonatais estiveram associadas com presença e maior gravidade de TOC e TDAH.
O que podemos concluir disso é que às vezes não é só a genética que importa, mas as agressões que o feto recebe durante a gestação ou no parto podem ter também influência.
O que fazer?
Não há muito a fazer em relação à genética, mas cuidar da gestação pode reduzir o risco de tiques na prole. Ou seja, engravidar quando estiver saudável, não cometer excessos que possa precipitar um parto prematuro, evitar estresse, cuidar da dieta, evitar medicamentos e drogas durante a gestação, enfim o que estiver ao alcance para garantir que a gestação vá até o fim da maneira mais saudável possível.  
Em relação ao parto, sou favorável ao parto em hospital, acompanhado por médicos. Embora muitas vezes o parto com parteiras, doulas ou enfermeiros em casa seja bem sucedido, a chance de que ocorra uma tragédia em caso de complicação, e a falta de acesso à intervenção adequada de forma rápida, podem repercutir na saúde do bebê e /ou da mãe, quando não ocorre a morte de um ou ambos.   


   

domingo, 7 de agosto de 2016

Medicina Alternativa Funciona?

Depende. Pode funcionar. Denominamos Medicina Alternativa tudo aquilo que não é da Medicina Tradicional, alopática, baseada em evidência científica. Como o conhecimento tende a evoluir, há técnicas que eram consideradas Medicina Alternativa e atualmente já são ensinadas nas Faculdades. Por exemplo, a acupuntura.
Existe um mito de que a medicina alternativa seja mais segura. Por exemplo, muitas pessoas acreditam que os Fitoterápicos por serem “naturais”, não fariam mal. Isso está totalmente equivocado!!!! Toda substância, seja natural ou não, é um corpo estranho ao organismo e pode desencadear reações alérgicas, ou ser mal tolerado pelo fígado e provocar uma hepatite medicamentosa.
Outro conceito que precisa ficar claro é que medicamentos alternativos são medicamentos, são drogas, ou seja, exercem seus efeitos pelos mesmos mecanismos que os remédios tradicionais. Inclusive, muitos remédios atuais tradicionais derivam de plantas que ao longo do tempo foram purificadas. Atualmente, a maioria das drogas é sintetizada em laboratório, mas muitas vezes com base em conhecimentos que vieram de plantas ou outras substancias naturais.
Dito isto, vamos ao que interessa: medicamentos alternativos funcionam? Sim, muitas vezes funcionam e por isso mesmo precisam ser prescritas de acordo com a avaliação cuidadosa de cada paciente. Exames de sangue dirão quais as substancias que faltam ou estão em excesso no seu organismo. Não adianta tomar complexos vitamínicos de forma indiscriminada, se você não precisa deles, não terá benefício.
Os minerais, como sódio, magnésio, potássio, cloro, precisam estar em uma determinada concentração no sangue. Se você toma magnésio demais, pode ter intoxicação. Se toma de menos, pode não ter benefício. Potássio em excesso causa parada cardíaca.
Assim, cuidado com AUTOMEDICAÇÃO, ela pode ser maléfica mesmo quando você toma vitaminas, minerais, remédios tidos como “naturais”.
Por falar em natural, maconha é natural. Isso significa que faz bem? Não! Já o canabidiol, que é extraído da maconha, e livre do THC que causa psicose, pode ser benéfico em casos selecionados.
Cocaína é natural. E aí? É uma droga que causa dependência. Ópio é natural, e a partir dela foi feita a morfina, que é poderosa e têm muita utilidade em casos específicos (dor).
Ou seja, é importante não encarar nada com preconceito. As substâncias, naturais ou não, têm sua utilidade na Medicina e devem ser prescritas por um médico, de acordo com cada caso.