O transtorno obsessivo-compulsivo(TOC) afeta até 2% da população geral e a síndrome de Tourette(ST),1%. Encontrem aqui dados interessantes sobre os dois. Espero contribuir para a sua divulgação. (Ana Hounie é Psiquiatra. Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP de São Paulo. Ex-Supervisora do ambulatório de TOC e ST na Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA- UNIFESP). Colabora com o PROTOC -HC FMUSP. Tem livros e artigos científicos publicados sobre o assunto.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Tic Helper
No Primeiro Congresso Mundial sobre Síndrome de Tourette fomos apresentados a um site chamado The Tic Helper.
Trata-se de um programa para que o usuário aprenda a monitorar e controlar seus tiques.
É um programa de 8 semanas que serve para crianças a partir de 8 anos de idade. Espera-se que a crianças entre no programa todos os dias por mais ou menos 20 minutos, junto com seus pais. O programa ensina aos pais e os portadores de tiques a identificar os tiques e controlá-los.
É um programa de auto-ajuda interativo.
Foi desenvolvido por psicólogos americamos com experiência no tratamento de tiques dentro da técnica comportamental.
Vantagens:
1- permite que a pessoa faça uma "auto-terapia"
2- é como um manual online
3- foi desenvolvido por psicólogos
Desvantagens:
1- somente disponível em inglês
2- é pago. Custa 150 dólares pelo programa de 8 semanas (mas é mais barato que 8 semanas de psicoterapia)
3- quando as 8 semanas terminam, para continuar tendo acesso, é necessária uma assinatura mensal.
Fica a dica para os que falam inglês e queiram experimentar.
http://www.tichelper.com/
Trata-se de um programa para que o usuário aprenda a monitorar e controlar seus tiques.
É um programa de 8 semanas que serve para crianças a partir de 8 anos de idade. Espera-se que a crianças entre no programa todos os dias por mais ou menos 20 minutos, junto com seus pais. O programa ensina aos pais e os portadores de tiques a identificar os tiques e controlá-los.
É um programa de auto-ajuda interativo.
Foi desenvolvido por psicólogos americamos com experiência no tratamento de tiques dentro da técnica comportamental.
Vantagens:
1- permite que a pessoa faça uma "auto-terapia"
2- é como um manual online
3- foi desenvolvido por psicólogos
Desvantagens:
1- somente disponível em inglês
2- é pago. Custa 150 dólares pelo programa de 8 semanas (mas é mais barato que 8 semanas de psicoterapia)
3- quando as 8 semanas terminam, para continuar tendo acesso, é necessária uma assinatura mensal.
Fica a dica para os que falam inglês e queiram experimentar.
http://www.tichelper.com/
terça-feira, 14 de abril de 2015
Mais um estudo de Acupuntura e Tourette
O ESTUDO ABAIXO COMPAROU UM GRUPO DE 25 PACIENTES TRATADOS COM ACUPUNTURA E UMA ERVA DA MEDICINA CHINESA COM UM GRUPO CONTROLE TRATADO COM HALDOL . OS AUTORES RELATAM QUE EMBORA O HALDOL FOSSE MAIS EFICAZ NOS PRIMEIROS 30 DIAS DE TRATAMENTO, NOS DIAS 60 E 90 NAO HOUVE DIFERENÇA ENTRE OS GRUPOS. SERIA INTERESSANTE FAZER ESTUDO SEMELHANTE EM OUTRAS CULTURAS E POR TEMPO MAIS LONGO DE OBSERVAÇÃO, POIS 3 MESES PODE SER POUCO TEMPO DE OBSERVAÇÃO , NÃO SE DESCARTANDO O EFEITO PLACEBO E A OSCILAÇÃO NATURAL DOS TIQUES. OUTROS DETALHES NOS FICAM DESCONHECIDOS, POIS O ARTIGO É EM CHINÊS.
CONFIRAM ABAIXO.
Zhongguo Zhen Jiu. 2015 Feb;35(2):141-4.
[Clinical controlled trial on infantile Tourette syndrome treated with integrated therapy of acupuncture and medicine].
[Article in Chinese]
Tang Y, Shang Q, Li W, Xu S.
Abstract
OBJECTIVE:
To compare the difference in the clinical efficacy on infantile Tourette syndrome between the integrated therapy of acupuncture and pingganjianpi decoction and haloperidol tablets.
METHODS:
Forty-seven children were randomized into an observation group (25 cases) and a control group (22 cases). In the observation group, acupuncture was applied to Taichong (LR 3), Baihui (GV 20), Zhongwan (CV 12), Zusanli (ST 36), etc. The needles were retained for 30 min. Acupuncture was given once a day and there were 5 days at intervals after 10 times of acupuncture. Additionally, pinggan jianpi decoction was prescribed. In the control group, haloperidol tablets were prescribed, starting from the small dose, 0. 05 mg/kg per day, twice a day. The treatment of 30 days made one session and 3 sessions were required. Yale global tic severity scale (YGTSS) was adopted to observe tic time, tic frequency and tic severity score before treatment and in 30 days, 60 days and 90 days after treatment in the two groups. The efficacy and adverse reactions were compared between the two groups.
RESULTS:
The total effective rates were 40. 0% (10/25), 64.0% (16/25) and 76.0% (19/25) in the observation group and were 59.1% (13/22), 68.2% (15/22) and 77.3% (17/22) in the control group in 30 days, 60 days and 90 days after treatment respectively. The effect in 30 days after treatment in the control group was better than that in the observation group (P<0. 05). The differences at the other time points were not significant between the two groups (all P>0. 05). The tic time, tic frequency and tic severity score at the each time point after treatment were reduced obviously as compared with those before treatment (all P<0. 05). Each item score in the control group was reduced obviously as compared with that in the observation group in 30 days after treatment (all P<0. 05). The differences at the other time points were not significant between the two groups (all P>0.05). The probability of adverse reaction in the observation group was less than that in the control group.
CONCLUSION:
The integrated therapy of acupuncture and medicine achieves the similar effect on infantile Tourette syndrome to haloperidol tablets and the side effects of it are less.
CONFIRAM ABAIXO.
Zhongguo Zhen Jiu. 2015 Feb;35(2):141-4.
[Clinical controlled trial on infantile Tourette syndrome treated with integrated therapy of acupuncture and medicine].
[Article in Chinese]
Tang Y, Shang Q, Li W, Xu S.
Abstract
OBJECTIVE:
To compare the difference in the clinical efficacy on infantile Tourette syndrome between the integrated therapy of acupuncture and pingganjianpi decoction and haloperidol tablets.
METHODS:
Forty-seven children were randomized into an observation group (25 cases) and a control group (22 cases). In the observation group, acupuncture was applied to Taichong (LR 3), Baihui (GV 20), Zhongwan (CV 12), Zusanli (ST 36), etc. The needles were retained for 30 min. Acupuncture was given once a day and there were 5 days at intervals after 10 times of acupuncture. Additionally, pinggan jianpi decoction was prescribed. In the control group, haloperidol tablets were prescribed, starting from the small dose, 0. 05 mg/kg per day, twice a day. The treatment of 30 days made one session and 3 sessions were required. Yale global tic severity scale (YGTSS) was adopted to observe tic time, tic frequency and tic severity score before treatment and in 30 days, 60 days and 90 days after treatment in the two groups. The efficacy and adverse reactions were compared between the two groups.
RESULTS:
The total effective rates were 40. 0% (10/25), 64.0% (16/25) and 76.0% (19/25) in the observation group and were 59.1% (13/22), 68.2% (15/22) and 77.3% (17/22) in the control group in 30 days, 60 days and 90 days after treatment respectively. The effect in 30 days after treatment in the control group was better than that in the observation group (P<0. 05). The differences at the other time points were not significant between the two groups (all P>0. 05). The tic time, tic frequency and tic severity score at the each time point after treatment were reduced obviously as compared with those before treatment (all P<0. 05). Each item score in the control group was reduced obviously as compared with that in the observation group in 30 days after treatment (all P<0. 05). The differences at the other time points were not significant between the two groups (all P>0.05). The probability of adverse reaction in the observation group was less than that in the control group.
CONCLUSION:
The integrated therapy of acupuncture and medicine achieves the similar effect on infantile Tourette syndrome to haloperidol tablets and the side effects of it are less.
domingo, 29 de março de 2015
Esperança no que concerne à Discinesia Tardia
Temos sempre a preocupação aos prescrever antipsicóticos de que o alto risco de discinesia tardia (DT) supere os benefícios no tratamento da ST, do TOC e outras doenças como esquizofrenia e transtorno bipolar. Apareceu agora um artigo que nos traz uma esperança: uma nova droga que pode ajudar a controlar a discinesia tardia. Copio aqui o resumo em inglês:
The chronic use and high dosing of typical neuroleptics or centrally acting dopamine receptor blocking antiemetics predispose patients to the onset of tardive syndromes. One particular subtype, tardive dyskinesia, is characterized by rapid, repetitive, stereotypic, involuntary movements of the face, limbs or trunk. The inhibition of the vesicular monoamine transporter system, using tetrabenazine therapy, improves the severity of tardive dyskinesia. But there are also drawbacks to tetrabenazine treatment, such as a fluctuating response and the need for frequent intake due to its rapid metabolism. Clinical research on the potentially more efficacious and easier to use tetrabenazine analogs is already under way. One of them is valbenazine, the purified parent drug of the (+)-α-isomer of tetrabenazine. The FDA lowered approval hurdles for valbenazine due to a successful Phase II trial, which showed a distinctive improvement in tardive dyskinesia symptoms during valbenazine administration. This resurgence in the clinical research of tardive syndrome therapy is most welcome. This author notes that the putative long-term side effects of valbenazine should carefully be investigated in the future via naturalistic observational trials. Furthermore, valbenazine may also support the onset of symptoms, such as Parkinsonism and depression, with chronic administration, as it, to a certain extent, shares the mode of action of tetrabenazine.
Expert Opin Investig Drugs. 2015 Mar 25:1-6. [Epub ahead of print]
Valbenazine granted breakthrough drug status for treating tardive dyskinesia.
Müller T1.
Abstract
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Lista de Psiquiatras Infantis No Brasil
Como objetivo de facilitar a vida de quem procura profissionais qualificados no atendimento de crianças e adolescentes, resolvi criar um INDICADOR PROFISSIONAL DE PSIQUIATRAS INFANTIS.
No link abaixo vocês encontram psiquiatras que atendem crianças e adolescentes e que fizeram residência médica em PIA ou possuem título de especialista em PIA ou expertise na área.
CLIQUE AQUI PARA VER A LISTA
No link abaixo vocês encontram psiquiatras que atendem crianças e adolescentes e que fizeram residência médica em PIA ou possuem título de especialista em PIA ou expertise na área.
CLIQUE AQUI PARA VER A LISTA
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
Tourette e Ceratocone
Do wikipedia: Ceratocone (do Grego: kerato- chifre,
córnea; e konos cone), é uma doença não-inflamatória progressiva do olho na qual mudanças estruturais na córnea (que alteram sua biomecânica - resistência e elasticidade) a tornam mais
fina e modificam sua curvatura normal (praticamente esférica) para um formato
mais cônico. Este
fenômeno de protrusão da área corneana afinada é chamado de ectasia(distensão)
corneana. A principal consequência do Ceratocone é a diminuição da acuidade
visual (visão) proveniente do astigmatismo irregular (distorção da imagem
causada pela alteração da curvatura normal da córnea). Visão borrada, imagens
fantasmas,sensibilidade à luz e presença de halos noturnos são os principais sintomas relatados pelos
pacientes. Trata-se da distrofia mais comum da córnea, afetando 1 pessoa em cada 2.000, parecendo ocorrer
em populações em todo o mundo, embora alguns grupos étnicos apresentam uma
prevalência maior que outros. Costuma aparecer na adolescência e progredir até
os 30-45 anos de vida, quando então estabiliza-se.
Há relatos de que
pacientes com Tourette podem ter o ceratocone agravado ou iniciado em decorrência
de tiques de esfregar os olhos.
Logo, se os tiques
envolverem os olhos, fiquem atentos, consultem um oftalmologista para se
certificar de que está tudo bem e procurem tratar dos tiques.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Nota oficial da ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA USO DO CANABIDIOL EM EPILEPSIA
Muito se tem discutido sobre o canabidiol e seu potencial uso para Tourette. Vejam a nota abaixo que esclarece o que se sabe até agora sobre a eficácia em epilepsia. É provável que sirva para tiques, mas ainda não temos casos publicados na literatura científica. Na internet pode haver relatos de sucesso, mas enquanto pesquisadores que se dedicam à pesquisa em Tourette ou à pesquisa do canabidiol não se pronunciarem oficialmente sobre o uso de cbd em ST, não podemos defender seu uso. Obviamente, em casos graves e refratários, podemos lutar para conseguir o cbd e fazer uma tentativa, desde que obedecidos os critérios de refratariedade e seguindo as recomendações da ANVISA. O cnb não deve ser visto como a solução final. É mais uma tentativa para casos graves. Se na epilepsia, como vocês podem ver no texto abaixo, os resultados são modestos, pode ser que para tiques seja semelhante. É natural que famílias e portadores de tiques graves se desesperem e busquem pela cura ou soluçao milagrosa. Mas cabe a nós médicos sermos prudentes, pesar riscos e beneficios e oferecer aos pacientes informação de qualidade para que cada um opte pelo que achar melhor para si.
Abaixo, o texto:
Nota oficial da ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA
USO DO CANABIDIOL EM EPILEPSIA
A Academia Brasileira de Neurologia – ABN através de seu departamento científico – DC de Epilepsia e a LIGA BRASILEIRA DE EPILEPSIA – LBE, respaldada pela Liga Internacional contra Epilepsia – ILAE, posiciona-se quanto ao uso do canabidiol (CBD) em epilepsias de difícil controle.
O CBD é o principal componente não psicoativo da cannabis, com reconhecido efeito antiepiléptico porém com mecanismo de ação, segurança a longo prazo, propriedades farmacocinéticas e interações com outros fármacos, ainda obscuros. As pesquisas clínicas bem conduzidas metodologicamente são limitadas, pois há restrição legal ao uso de medicamentos derivados do cannabis, embora o CBD não possua propriedades psicoativas.
Dr. Orrin Devinsky, médico da New York University School of Medicine foi autorizado pelo FDA a conduzir um estudo aberto com um produto contendo 98% de CBD cujo nome comercial é Epidiolex fabricado pela GW Pharmaceuticals. Neste estudo, Dr. Devinsky administrou inicialmente uma dose de 5 mg/kg/dia associado aos medicamentos que o paciente já utilizava. A dose diária foi gradualmente aumentada até o máximo de 25 mg/kg/dia. Os resultados dos primeiros 23 pacientes, cuja média de idade foi de 10 anos, demonstraram que 39% dos pacientes tiveram redução de 50% de suas crises. Apenas 3 dos 9 pacientes com síndrome de Dravet (um tipo de epilepsia muito grave da infância) obtiveram controle total das crises e 1 dos 14 pacientes com outras formas de epilepsia. Os efeitos colaterais mais comuns foram sonolência, fadiga, perda ou ganho de peso, diarreia e aumento ou redução do apetite. Todos os pacientes recebiam mais de um fármaco antiepiléptico. Os resultados preliminares mostraram uma redução de 50% de crises em cerca de 40% dos pacientes. Tal resultado não difere dos resultados disponíveis na literatura dos mais de 20 fármacos antiepilépticos disponíveis no mercado.
As populações expostas ao CBD são compostas por pacientes com síndromes epilépticas heterogêneas que não responderam a qualquer outro fármaco, ou tiveram sérios efeitos colaterais com os medicamentos disponíveis no mercado. Neste cenário, um composto que tenha qualquer efeito benéfico torna-se potencialmente útil.
Os dados científicos até agora disponíveis permitem concluir que o canabidiol não tem o efeito milagroso para todas as formas de epilepsia como evocado pelos leigos em relação a qualquer outro fármaco disponível no mercado, mas poderá desempenhar um papel importante no tratamento de epilepsias muito difíceis, em casos específicos, ainda não definidos cientificamente.
Enfatizamos que o canabidiol terá aplicabilidade dentro do cenário das epilepsias intratáveis, de dificílimo controle, possivelmente com excelente resposta em alguns casos, razoável resposta em outros e nenhuma resposta em alguns, como observado com o uso de outros fármacos. Um dos exemplos similares é a vigabatrina, fármaco antiepiléptico com excelente resposta terapêutica para síndrome de West por esclerose tuberosa.
A ABN e LBE solidariza-se com as famílias das crianças e adultos com epilepsia refratária, resistente aos fármacos antiepilépticos, compartilha e reconhece a realidade de que em muitos casos o médico assistente não possui opção terapêutica a oferecer, mas acredita que a segurança e eficácia do CBD necessitam ser melhor estabelecidas por estudos bem conduzidos, uma vez que os dados disponíveis na literatura atual não preenchem os critérios científicos exigidos para que tal composto seja utilizado como medicamento de forma indiscriminada. Ressalta também que o uso recreativo de cannabis para epilepsia é completamente contra-indicado.
São Paulo, 11 de dezembro de 2014
Assessoria de Imprensa
Acontece Comunicação e Notícias
Kelly Silva Karina Morais
(11) 3873-6083 / 3871-2331
acontececom3@uol.com.br
sábado, 13 de dezembro de 2014
Resolução do CFM sobre o uso de canabidiol
RESOLUÇÃO CFM nº 2.113/14
CFM regulamenta o uso do canabidiol no tratamento de epilepsia
O uso compassivo do canabidiol
(CBD), um dos 80 derivados canabinoides da cannabis
sativa, foi autorizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para crianças e adolescentes portadores de epilepsias refratárias a tratamentos
convencionais. A decisão faz parte da Resolução CFM nº 2.113/2014, encaminhada
para publicação no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (11). A
regra, que detalha os critérios para emprego do CBD com fins terapêuticos no País,
veda a prescrição da cannabis in natura para uso medicinal, bem como de quaisquer outros
derivados, e informa que o grau de pureza da substância e sua apresentação seguirão
determinações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O plenário do
CFM apenas aprovou a Resolução 2.113/14 após profunda
análise científica, na qual foram avaliados todos os fatores relacionados à
segurança e à eficácia da substância. A avaliação de vários documentos
confirmou que ainda não há evidências científicas que comprovem que os canabinóides
são totalmente seguros e eficazes no tratamento de casos de epilepsia. Assim, a
regra restringe sua prescrição – de forma compassiva - às situações onde
métodos já conhecidos não apresentam resultados satisfatórios. O uso compassivo
ocorre quando um medicamento novo, ainda sem registro na Agência Nacional de
Vigilância em Saúde (Anvisa), pode ser prescrito para pacientes com doenças
graves e sem alternativa terapêutica satisfatória com produtos registrados no
país.
A decisão do
CFM deverá ser revista em dois anos, quando serão avaliados novos elementos
científicos. “O CFM age em defesa da saúde dos pacientes, o que exige
oferecer-lhes abordagens terapêuticas confiáveis. No caso do canabidiol, até o
momento, os estudos realizados em humanos têm poucos participantes e não são suficientes
para comprovar sua segurança e efetividade. Diante desse quadro, é importante
desenvolver urgentemente pesquisas que possam vir a fornecer evidências robustas, de acordo com as normas internacionais de segurança, efetividade e
aplicabilidade clínica do CBD”, ressaltou o presidente do CFM, Carlos Vital
Tavares Corrêa Lima.
Cadastro em sistema - A Resolução ainda estabelece que apenas as especialidades de neurologia e suas áreas de atuação, de
neurocirurgia e de psiquiatria estão aptas a fazer a prescrição do
canabidiol, sendo que os médicos interessados em recomendá-lo devem estar
previamente cadastrados em plataforma online desenvolvida pelos Conselhos de
Medicina. Os pacientes que realizarem o tratamento compassivo com a substância também
deverão ser inscritos no sistema. Esse cuidado permitirá o monitoramento do uso
para avaliar a segurança e possíveis efeitos colaterais da medicação.
Além de
cadastrado, o paciente submetido ao tratamento compassivo com o canabidiol (ou
seus responsáveis legais) deverá ser informado sobre os problemas e benefícios
potenciais do tratamento. Um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
terá de ser apresentado e assinado pelos interessados. No documento, entre
outros pontos, o paciente reconhece que foi informado sobre as possíveis opções
de tratamento e que, de forma autônoma, optou pelo CBD. Também admite ciência de
que o canabidiol não é isento de riscos ou agravos à saúde. Entre os efeitos
indesejáveis mais conhecidos, até o momento, estão sonolência, fraqueza e
alterações do apetite. Não são descartadas outras reações, como alergias.
“Com a
resolução, o CFM se manifesta defensor das pesquisas com quaisquer substâncias
ou procedimentos para combater doenças, desde que regidos pelas regras
definidas pelo Sistema de Ética em Pesquisa (CEP/CONEP) e desenvolvidos em
centros acadêmicos de pesquisa. A aplicação do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido é fundamental como maneira de expressar o respeito à autonomia dos
pacientes e de ressaltar as obrigações dos médicos e pesquisadores”, salientou
Emmanuel Fortes Cavalcante, 3º vice-presidente do CFM.
Critérios para uso - Para serem submetidos ao tratamento com o canabidiol, os
pacientes deverão preencher critérios de indicação e contraindicação. Isso
permitirá o uso compassivo da substância em doses adequadas. A seleção levará
em conta a resistência da criança ou do adolescente aos tratamentos
convencionais, segundo definição proposta pela International League Against Epilepsy (ILAE). Em síntese, significa
que no tratamento do transtorno tem havido falha de resposta com dois anticonvulsivantes tolerados e apropriadamente
usados para alcançar remissão de crises de modo sustentado.
“A epilepsia é
um distúrbio cerebral que acomete em torno de 1% da população mundial,
prejudicando gravemente a qualidade de vida e podendo provocar danos cerebrais,
especialmente no período de desenvolvimento. Há indícios de que, dentre os
pacientes refratários a tratamento, se encontra um grupo específico,
correspondente às epilepsias da infância e da adolescência, tais como as
encontradas nas Síndromes de Dravet, Doose e Lennox-Gastaut”, explicou o 1º
vice-presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto Ribeiro.
O protocolo para uso do canabidiol prevê, ainda, que deverá ser utilizado em
adição às medicações que o paciente vinha utilizando anteriormente. Ou seja,
ele não deve substituir completamente outros medicamentos, devendo ser
administrado de forma associada. A dose mínima, por via oral, será de 2,5 mg
por quilo, divididas em duas vezes ao dia. O médico poderá ajustar a
recomendação e aumentá-la, segundo os parâmetros previstos na Resolução CFM nº
2.113/14.
O CFM
recomenda que o médico assistente fique atento às possíveis interações
medicamentosas com o uso do CBD. A autarquia determina também que, após a
introdução do canabidiol, o profissional responsável deverá encaminhar ao
Conselho Federal, por via eletrônica, relatório de acompanhamento com uma
periodicidade de quatro a seis semanas (no primeiro ano) e de 12 semanas após
esse período.
Contribuição com debate - Com a publicação da Resolução nº 2.113/14, o CFM oferece
importante contribuição ao debate quanto à liberação da importação do
canabidiol, tema discutido no âmbito da Anvisa, que é a autoridade federal que
registra produtos e substâncias para uso em pesquisa ou comercial, obedecendo
a rigorosos critérios de segurança.
O canabidiol
circula entre as substâncias vetadas pela Agência, no Brasil. Em maio, uma
reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa se discutiu se o CBD seria retirado da
lista de substâncias de uso proscrito para entrar na de substâncias de controle
especial (comercializado com receita médica, em duas vias). Porém, um dos
diretores pediu vistas do processo, adiando a decisão. Contudo, a Anvisa
já permite a importação do CBD mediante prescrição e laudo médico, termo de
responsabilidade e formulário de solicitação de importação para remédios
controlados.
Diferença com maconha
– O canabidiol (CBD) é um dos 80
canabinóides presentes na planta cannabis sativa e não produz os
efeitos psicoativos típicos da planta. Ou seja, não se pode confundir o uso
medicinal de ‘canabinoides’ com o uso do produto in natura. Por isso, na Resolução 2.113/14, o CFM veda sua prescrição para tratamento de doenças.
Apesar da liberação do uso do canabidiol no
país, o Conselho Federal de Medicina reitera sua posição contrária sobre a
descriminalização e a legalização das “cannabis indica e sativa” e seu consumo “recreativo”. Esta posição está
alinhada com a postura da autarquia com relação às políticas de combate ao
tabagismo e alcoolismo e ao seu compromisso com a defesa do bem estar de todos.
“Nós, médicos, estamos preocupados com a da saúde da população. Existem
substâncias da canabis sativa que têm propriedades
medicinais, para essas nós somos favoráveis que sejam pesquisadas em centros
adequados. Não apoiamos a liberação para uso recreativo, pois sabemos o tanto
que substâncias psicoativas fazem mal à saúde”, defende o psiquiatra Salomão
Rodrigues, conselheiro federal por Goiás.
Confira
os principais destaques da Resolução CFM nº 2.113/14
- Aprovação: Está autorizado o uso compassivo do canabidiol no tratamento
de epilepsias em criança e adolescentes que sejam refratárias aos tratamentos
convencionais.
- Restrito aos especialistas: Apenas as especialidades de neurologia e suas áreas de atuação, de neurocirurgia
e de psiquiatria poderão prescrever o canabidiol.
- Cadastro: Os médicos prescritores deverão ser previamente cadastrados em
plataforma online criada pelo Conselho Federal de Medicina para este fim. O
mesmo deverá ocorrer com os pacientes.
- Pré-requisito: Para receber a prescrição, o paciente necessita preencher os
critérios de indicação e contraindicação para inclusão no uso compassivo.
- Acompanhamento: Os pacientes submetidos ao tratamento com o
canabidiol deverão ser acompanhados, de acordo com relatórios enviados pelos
médicos prescritores.
-
Esclarecimento: Os pacientes, ou
seus responsáveis legais, deverão ser informados sobre os riscos e benefícios
potenciais e assinar Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
- Proibição: A regra veda a prescrição da
cannabis in natura para uso
medicinal, bem como quaisquer outros derivados, que não o canabidiol. O grau de
pureza da substância e sua apresentação seguirão determinações da Anvisa.
- Revisão: A decisão do CFM deverá ser revista em dois anos, quando serão
avaliados novos elementos científicos.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Obsessão com o corpo
aqui vão duas entrevistas que dei sobre o tema da obsessão com o corpo perfeito:
CLIQUEM NOS LINKS ABAIXO
A BUSCA POR CIRURGIA PARA OBTER O CORPO PERFEITO
USO DE ANABOLIZANTES EM BUSCA DO CORPO PERFEITO
CLIQUEM NOS LINKS ABAIXO
A BUSCA POR CIRURGIA PARA OBTER O CORPO PERFEITO
USO DE ANABOLIZANTES EM BUSCA DO CORPO PERFEITO
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Pesquisa com pacientes com Tourette- em inglês
Estou repassando um pedido de um pesquisador americano que quer dados sobre o efeito de tocar um instrumento em pessoas com Tourette. Abaixo colei o pedido dele e o link para a pesquisa:
Greetings from beautiful South Florida! My name is Chris Brown and I am a PhD student at the University of South Florida. I’m currently involved in a research project investigating the effects of playing a musical instrument on the symptoms of Tourettes. I would be extremely grateful if you could help me spread the word about my project. It is a simple 9-question on-line survey that only takes a few minutes to complete. Could you or the organization you belong to please help me by posting my TSA-USA.org approved link that contains my contact information? If you would like more information, including Ethics Committee documentation, I would be happy to supply that to you.
Thank you for your time and help!
Wm. Chris Brown
USF Tampa, FL
(TSA approved link to their website)
domingo, 19 de outubro de 2014
Maconha e Tourettte
Recentemente o Conselho Federal de Medicina aprovou a
importação de canabidiol para o tratamento de epilepsia refratária. Essa liberação
se deve ao fato de que vários artigos científicos têm demonstrado utilidade de
canabidiol nos casos de epilepsia que não responderam a nenhum dos tratamentos
disponíveis.
Ou seja temos aqui duas condições que necessitam estar
juntas: 1- presença de epilepsia refratária e 2- estudos científicos que
relatam eficácia.
Como não somente epilepsia , mas distonias e outros
transtornos do movimento parecem ter alguma resposta ao canabidiol, os
portadores da síndrome de Tourette passam obviamente a ser potenciais beneficiários do canabidiol.
Muitos pacientes têm-me questionado sobre canabidiol para ST.
Fatos:
- Existem alguns trabalhos que demonstraram alguma eficácia do THC (um componente da maconha) na ST. O THC não está disponível no mercado brasileiro.
- Não existe nenhum trabalho publicado sobre canabidiol na ST na literatura científica.
- O uso de maconha é ilegal e traz riscos de psicose, depressão, pânico e paranoia no uso agudo. O uso crônico pode causar dependência e reduzir a cognição de crianças e adolescentes.
Conclusão: não temos base científica ainda para prescrever
compostos de maconha para os pacientes com Tourette.
São necessários estudos sérios e evidências fortes de
eficácia para que tenhamos subsídio para solicitar ao
CFM que também libere a importação de canabidiol para o tratamento da ST.
sábado, 18 de outubro de 2014
Psiquiatria da Infância e da Adolescência: Guia para iniciantes- Livro
Editores: Bruno Mendonça Coêlho, Juliana Gomes Pereira, Tatiana Malheiros Assumpção, Geilson Lima Santana Jr.
Meu capítulo no livro é sobre TOC e Tourette.
Cientes do papel-chave dos colegas de outras áreas, a obra Psiquiatria
da infância e da adolescência: guia para iniciantes é direcionada para
não especialistas e aborda os temas mais importantes da psiquiatria da
infância e adolescência em uma linguagem clara e objetiva embasada no
novo DSM-5. Para facilitar a apreensão do conteúdo, os capítulos contam
com tabelas, gráficos, fluxogramas e questões de múltipla escolha, que
também estão disponíveis em www.sinopsyseditora.com.br/psiquia. Eles
foram divididos em quatro partes. A primeira diz respeito aos temas
gerais da área, com capítulos contendo uma breve história da psiquiatria
infantil, uma introdução ao desenvolvimento normal, uma apresentação
das características peculiares da semiologia e da psicopatologia e uma
revisão sobre a epidemiologia dos transtornos mentais nessa faixa
etária. Na parte seguinte, são abordadas as principais síndromes
psiquiátricas da infância e da adolescência, com ênfase nas
manifestações clínicas, no diagnóstico e na terapêutica. A terceira
parte apresenta as principais modalidades de tratamento farmacológico e
não farmacológico, e a última seção foca a interdisciplinaridade e as
interfaces entre a psiquiatria, a pediatria e a neuropediatria. Cada
capítulo foi escrito por profissionais que aliam duas importantes
qualidades: são clínicos habilidosos e pesquisadores de excelência.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Simpósio sobre Medicalização
Medicalização
é um neologismo. Neologismo é uma palavra inventada quando não existe nenhuma outra no léxico que expresse a ideia que se quer veicular. Assim, nasceu o termo
medicalização. Infelizmente, já nasceu imbuído de preconceito. Como psicologização. Psicologizar
é atribuir motivações psicológicas a atos provenientes de outras esferas. Paralelamente,
medicalizar seria atribuir características de doença a comportamentos que não seriam
doenças. É lamentável que medicalizar tenha se tornado sinônimo de dar medicamentos sem necessidade, seja para robotizar , dopar, alienar ou manipular as pessoas; para aumentar a venda da indústria farmacêutica; para evitar que os problemas sejam tratados com "profundidade", pois somente uma psicoterapia seria capaz de abordar os problemas de modo profundo.
Nós médicos tratamos de pessoas com doenças, com sofrimento psicológico, com interferência em suas capacidades produtivas e de usufruírem de lazer. Dentre nossas ferramentas terapêuticas , temos a medicação. Medicar e Medicalizar são termos diferentes. É importante saber distinguir os termos e os fatos.
Nós médicos tratamos de pessoas com doenças, com sofrimento psicológico, com interferência em suas capacidades produtivas e de usufruírem de lazer. Dentre nossas ferramentas terapêuticas , temos a medicação. Medicar e Medicalizar são termos diferentes. É importante saber distinguir os termos e os fatos.
Para abordar este tema, haverá um simpósio. O simpósio contará com médicos, psiquiatras, psicólogos, pacientes e outros profissionais que debaterão o tema, refletindo sobre o lugar do médico e das equipes de saúde na Rede Pública e na Sociedade. O nosso discurso é baseado em dados científicos e amparado na prática clínica. Queremos que o ato psiquiátrico e psicológico seja entendido na sua pureza, livre de preconceitos e ideologismos.
Convidamos para o simpósio Medicalização:
É ABERTO A PROFISSIONAIS, A LEIGOS, A PACIENTES, A INTERESSADOS E SIMPATIZANTES!
É ABERTO A PROFISSIONAIS, A LEIGOS, A PACIENTES, A INTERESSADOS E SIMPATIZANTES!
INSCRIÇÕES ABERTAS DO
SIMPÓSIO!
MEDICALIZAÇÃO:
CONCEITOS, QUESTIONAMENTOS E
REFLEXÕES.
VAMOS PENSAR JUNTOS?
Público Alvo: profissionais e estudantes
das áreas de saúde e educação.
Investimento*: profissionais ( R$90 ) e estudantes
( R$50 ).
*Descontos especiais para turmas
instituições de
saúde e/ou educação até dia
10/09/14.
http://phpu.unifesp.br/acad/siex/index.htm
- no link "Medicalização"
Marcadores:
medicalização,
medicamentos,
saúde mental,
tratamento
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Sobre a morte de Robbin Williams- e sobre a doença mental
Meu marido Beto Moraes traduziu um artigo que comenta sobre o recente suicídio de Robin Williams, que aparentemente tinha transtorno bipolar do humor.
clique aqui para ver o original
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Vamos levar
a doença mental a sério
Mark
Shapiro
O suicídio recente de Robin Williams sacudiu as
pessoas de todo o espectro político — e não
sem motivo. Quando uma figura pública incrivelmente popular e
bem-sucedida de nossa cultura decide tirar sua própria vida, fica a sensação de
que o suicídio pode acometer qualquer pessoa. Na verdade, não pode.
Robin Williams sofria de uma doença mental,
declaradamente. Durante uma entrevista em 2006 ele disse que não tinha sido
formalmente diagnosticado com depressão ou transtorno bipolar, mas falou, “Às
vezes atuo de uma forma maníaca? Sim. Estou em mania o tempo todo? Não. Eu fico
triste? Ôpa, se fico. É duro para mim? Sim, é. “ E acrescentou, “Fico bêbado,
como muitos de nós ficamos às vezes. Você olha para o mundo e pensa, ‘ôpa, pode
parar’. Outras vezes você olha e diz, ‘Oh, as coisas estão ok.’” De acordo com
o Huffington Post, no mesmo ano ele explicou a tentação do alcoolismo — para
Diane Sawyer. “É a mesma voz do pensamento que... quando você está à beira do
precipício e olha para baixo, existe uma voz, uma voz bem baixinha que diz. “Pule.’”
A morte de Robin Williams estimulou vários
escritores e celebridades a anunciar suas próprias lutas com estes problemas; quase
toda família já sofreu os horrores de uma doença mental. Meu avô foi
diagnosticado como bipolar [transtorno
bipolar do humor] décadas atrás, e lutou contra ideações suicidas
rotineiramente até ser medicado com
lítio.
Aumentar a conscientização é louvável — o estigma que
se impregnou à busca de ajuda para doença mental deve ser eliminado o mais
rápido possível.
Do mesmo modo devemos deixar claro que a
normalização da doença mental não ajuda ninguém e prejudica aqueles que estão
verdadeiramente doentes. A falta de compreensão e consciência a respeito da
doença mental nos chega desde duas vertentes de opinião: primeiro, daqueles que
acham que a doença mental significa falta de dedicação e de força de vontade;
segundo, daqueles que acham que uma grave doença mental não é de maneira alguma
uma doença mental, mas representações de comportamentos e pensamentos livres.
Quarenta anos atrás, o primeiro grupo predominava;
hoje, o segundo é dominante.
Há 40 anos, homens e mulheres temiam a destruição
da carreira profissional se os rumores
sobre o fato deles estarem se consultando com psiquiatras se espalhasse. Em
grande medida, aquele medo dissipou-se. Mas uma nova ameaça para o bem-estar
daqueles que sofrem de uma doença mental substituiu o constrangimento original:
a ameaça do batalhão dos defensores [contrários
ao tratamento psiquiátrico] que acabam por deixar quem tem uma doença
mental sofrer em nome da heterogeneidade.
Isto [ser
contra esta ameaça] não significa sugerir que todos os que são “diferentes”
são mentalmente doentes ou vice-versa. Mas quer dizer sim que devemos
considerar a doença mental no caso dos sem-teto em vez de rotulá-los de
defensores do espaço público, em uma versão que tem o seu próprio modo de se
vestir. É afirmar também que aqueles que têm transtorno disfórico de gênero não
devem sofrer a intolerância da sociedade
e que a mutilação física e a gritaria pró-tolerância não vão resolver os seus
problemas.
Em outras palavras, se quisermos reconhecer, como
sociedade, a importância da doença
mental, o progressista [the left]
deve parar de fazer dissertações sobre doença mental com platitudes sobre
diversidade, e o conservador [the right] deve
parar de tratar a doença mental como um problema moral e não como um caso
médico. Aqueles arrasados pela angústia mental estão gritando por ajuda. Se não
os escutamos, talvez seja porque estejamos muito ocupados em impor nossos
pontos de vista políticos em vez de escutarmos.
domingo, 27 de julho de 2014
Fitoterápicos em Síndrome de Tourette
A procura por tratamentos ditos "naturais" para as diversas doenças é muito comum. Coloco naturais entre aspas pois mesmo as substâncias naturais das plantas são compostos químicos e agem da mesma forma nos receptores do nosso organismo. A diferença entre os fitoterápicos e os medicamentos ditos alopáticos é que os segundos são sintetizados em laboratório. Mas, no fundo, são medicamentos do mesmo modo, com efeitos colaterais, variados graus de eficácia e muitas vezes tão caros quanto os alopáticos. Assim, a escolha pelos fitoterápicos, em geral, tem mais a ver com uma escolha filosófica do paciente do que com uma verdadeira indicação médica.
O artigo a seguir (coloco o resumo), avaliou dois fitoterápicos da medicina chinesa para a ST.
O artigo a seguir (coloco o resumo), avaliou dois fitoterápicos da medicina chinesa para a ST.
Chin Med. 2014 Feb 7;9(1):6. doi: 10.1186/1749-8546-9-6.
Herbal medicines for treating tic disorders: a systematic review of randomised controlled trials.
Abstract
BACKGROUND:
It was reported that 64% of tic disorder patients used complementary and alternative medicine. This review aims to evaluate the efficacy of herbal medicines in treating tic disorders.
METHODS:
We searched eight databases including MEDLINE and CINAHL from their respective inceptions up to September 2013. The search terms were related to the concept of "herbal medicine" AND "tic disorder OR Tourette's syndrome". We included randomised controlled trials (RCTs) of any type of herbal medicines. We assessed the methodological quality of the trials according to the Cochrane risk of bias criteria.
RESULTS:
Sixty one studies were identified, and four RCTs met the inclusion criteria. Two types of herbal medicines, Qufeng Zhidong Recipe (QZR) decoction and Ningdong (ND) granules, were used in the included RCTs. All four RCTs had a high risk of bias. Two RCTs tested the effects of QZR on the Yale Global Tic Severity Scale (YGTSS) score and response rate compared with conventional medicine. The meta-analysis showed significant effects of QZR on the YGTSS score with high statistical heterogeneity (n = 142; weighted mean difference: -18.34; 95% confidence interval (CI): -23.07 to -13.60; I2 = 97%) and the response rate (n = 142; risk ratio: 1.69; 95% CI: 1.39 to 2.06; I2 = 0%). One RCT compared ND granules with placebo and showed significant effects on the YGTSS score and response rate. The other RCT show significant effects of ND granules plus conventional medicine on the response rate compared with conventional medicine only.
CONCLUSION:
This systematic review provided first piece of limited meta-analytic evidence for the effectiveness of herbal medicines in improving the symptoms of tic disorders.
- PMID:
- 24507013
- [PubMed]
- PMCID:
- PMC3930107
sexta-feira, 25 de julho de 2014
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Resposta ao artigo dos dois psicanalistas a respeito da Portaria 986/2014 da Secretaria do Município de São Paulo a respeito da Ritalina
A resposta abaixo é referente ao artigo publicado na Folha-clique aqui para ver o artigo
Sintoma de Desatenção não é TDAH. Mas Falta de Atenção à Saúde das Crianças Brasileiras é Doença Política.
Sintoma de Desatenção não é TDAH. Mas Falta de Atenção à Saúde das Crianças Brasileiras é Doença Política.
A respeito do comentário publicado por Ilana Katz e Paulo
Schiller enaltecendo a portaria de 12 de junho de 2014 (nº 986/2014) da
Secretaria do Município de São Paulo,
que regulamenta o uso de metilfenidato (Ritalina e Concerta) na rede pública de
saúde do município:
Em primeiro lugar, afirmamos que estamos plenamente de
acordo com a frase “nem toda agitação ou desatenção é doença”. Isso é o mesmo que
dizer que nem toda dor de cabeça é um tumor cerebral. A pergunta é: quando são
doença e quais? Para isso existe a avaliação psiquiátrica, de preferência por
especialistas na infância e na adolescência. A melhor resposta só pode ser dada
após um diagnóstico diferencial preciso, separando as causas orgânicas das
psicológicas, das educacionais etc. e fazendo um diagnóstico complexo que
englobe as várias instâncias envolvidas no mundo mental e comportamental de um
indivíduo. Os psiquiatras infantis não são prescritores contumazes que querem robotizar
as crianças. A constatação de que a prescrição de Ritalina aumentou no Brasil
não traduz um excesso de diagnóstico iatrogênico e sim uma série de fatores que
são benéficos para a população:
1-
Mais diagnósticos corretos sendo feitos, quando
antes o diagnóstico era equivocado e as crianças recebiam antipsicóticos ou
anticonvulsivantes;
2-
Disponibilidade de metilfenidato no SUS. Antes
as famílias tinham que comprar a medicação prescrita por profissionais da rede
particular ou suplementar ou então tinham que se contentar em administrar
antipsicóticos e anticonvulsivantes que recebiam do SUS;
3-
Maior presença de psiquiatras infantis e neuropediatras
capacitados para fazer um diagnóstico correto;
Desse modo, com base na prevalência de TDAH no Brasil e no mundo
podemos afirmar que a quantidade de crianças e adolescentes que está sendo
atualmente tratada ainda está abaixo da real demanda. E a opinião dos
beneficiados, os pais e as crianças e adolescentes que melhoram com o
tratamento, deve ser ouvida e veiculada.
Não é verdade que o diagnóstico de TDAH exclui a avaliação das
relações familiares, o ambiente escolar ou a subjetividade da criança. Isso
pode ser que ocorra, mas maus profissionais existem em todas as profissões, em
todas as áreas. Não podemos penalizar as crianças que precisam de tratamento
com base na existência de maus profissionais na rede pública. O que devemos
fazer é exigir que os profissionais da Rede façam cursos de capacitação e
atualização e melhorar a qualidade da atenção dada na Saúde Pública.
O Governo deve investir em Educação e Saúde prover recursos para
tratamentos com evidências científicas como uso de metilfenidato e outros
medicamentos, psicoterapia e intervenções pedagógicas, e não reduzir o
investimento em Saúde alegando que o problema é a prescrição de Ritalina.
O protocolo recém- publicado não é um avanço, é um
retrocesso, pois limita a prescrição de uma medicação eficaz e barata, restringe
a idade de seu uso, os locais de prescrição e a liberdade do médico exercer a Medicina.
Por acaso proíbem a venda de carros pelo fato de haver
pessoas que dirigem mal e matam outras no trânsito?
Ana Hounie (CREMESP 94382), Ivete Gattás (CREMESP 48588) e
Sheila Caetano (CREMESP 95770), Psiquiatras Geral e da Infância e da Adolescência
e psicoterapeutas .
terça-feira, 1 de julho de 2014
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