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O transtorno obsessivo-compulsivo(TOC) afeta até 2% da população geral e a síndrome de Tourette(ST),1%. Encontrem aqui dados interessantes sobre os dois. Espero contribuir para a sua divulgação. (Ana Hounie é Psiquiatra. Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP de São Paulo. Ex-Supervisora do ambulatório de TOC e ST na Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA- UNIFESP). Colabora com o PROTOC -HC FMUSP. Tem livros e artigos científicos publicados sobre o assunto.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Tipos de Receita Médica para psicotrópicos e a que se destinam
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Programa Obcecados- A&E
O programa Obcecados mostra casos de pacientes com TOC, colecionismo, tricotilomania , entre outros. O interessante é que mostra o trabalho feita por terapeutas comportamentais, de modo que para quem não conhece e quer conhecer, vale a pena assistir.
vejam o link
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Novas Diretrizes Clínicas para Tratamento de TDAH (inglês)
Clique aqui para fazer o download do artigo
A mudança mais importante nas diretrizes é que o limite de idade inferior para prescrever medicação para crianças com TDAH foi reduzido para 4 anos de idade. Ou seja, se por um lado isso permite tratar mais precocemente quem de fato necessita, por outro lado pode elevar o número de prescrições desnecessárias. Por isso , recomendamos fortemente que as crianças sejam avaliadas por profissionais capacitados, de preferência psiquiatra infantil.
A mudança mais importante nas diretrizes é que o limite de idade inferior para prescrever medicação para crianças com TDAH foi reduzido para 4 anos de idade. Ou seja, se por um lado isso permite tratar mais precocemente quem de fato necessita, por outro lado pode elevar o número de prescrições desnecessárias. Por isso , recomendamos fortemente que as crianças sejam avaliadas por profissionais capacitados, de preferência psiquiatra infantil.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Entrevista sobre TOC na FolhaTeen
Viciados em manias
CASOS ANTIGOS DE TOC EM FAMOSOS, COMO O DO CANTOR ROBERTO CARLOS, ENCORAJAM ADOLESCENTES A PROCURAR TRATAMENTO
Andressa, 23, começou a tratar o TOC com remédios aos 19 anos
MAYRA MALDJIAN
DE SÃO PAULO
Inquieta, Andressa Freitas de Souza, 23, bota-se de pé. "Sabe o que é? Se eu não lavar as mãos, não vou conseguir conversar com você."
A garota vê sujeira onde, aparentemente, não há. "Se eu tocar no chão, no rejunte dos pisos, por exemplo, acho que vou me contaminar".
A aflição só passa quando ela abre a torneira da cozinha: "Senão a mente trava", explica, esfregando as mãos com detergente.
Andressa tem TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), um distúrbio mental que afeta cerca de 4 milhões de jovens e adultos no Brasil. "A obsessão é aquele pensamento, mesmo sem sentido, que a pessoa não consegue tirar da cabeça. E a compulsão é o ritual feito para afastá-lo", explica Ana Hounie, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo.
De acordo com a especialista, qualquer um pode desenvolver o TOC. E, muitas vezes, os primeiros sinais despontam na adolescência.
CHEIOS DE MANIAS
Prisioneira de inúmeras manias, que se acumularam e se substituíram, Andressa começou a ir mal na faculdade de enfermagem e largou tudo no segundo semestre.
"Quando ia estudar, era o caderno deste jeito, a caneta assim, o estojo ali... Insuportável." Como se não bastasse a fissura pela higiene, ela também se apega à simetria.
No ano seguinte, aos 19, a mãe chegou em casa afobada, sacudindo uma revista: "Olha, Andressa, você tem a mesma coisa que o Roberto Carlos!".
A revista, que já era antiga, contava que o cantor não saía de um lugar pela porta que entrou, não usava marrom e não dizia palavras negativas: parou até de cantar um de seus sucessos, "Quero Que Vá Tudo pro Inferno".
Preocupada, Andressa começou a pesquisar sobre o TOC e encontrou outro caso famoso, o da modelo e atriz Luciana Vendramini. Ela ficou entre 1999 e 2003 sem trabalhar, tempo que levou para vencer a doença. No início, ela só conseguia dormir depois de ver três táxis amarelos. No auge, ficou dez horas no chuveiro, esperando um pensamento bom vir à mente.
De imediato, Andressa procurou um psiquiatra e começou a se tratar com remédios. "Quando ele me disse que o TOC não tinha cura, eu comecei a chorar", lembra.
Há um ano, Diogo*, 12, também encara o tratamento recomendado -medicamentos (como antidepressivos) e terapia. Ele é da turma da limpeza, mas nada o atrapalha na escola, já que a região "contaminada" está em casa. Discreto, diz que não quer "parecer estranho". Às vezes, o transtorno é tão intenso que chega a afastar seus portadores até de pessoas queridas. É o caso de João*, 19, que quando era criança não conseguia tocar na irmã, porque algo dentro da sua cabeça dizia que ela era "suja".
Naquele tempo, criou outro comportamento repetitivo: engolir saliva olhando para cima, "para não absorver algo do inferno". Aos 17, "achava que minha mãe ia morrer e rezava para isso não se concretizar".
Hoje, no segundo tratamento, ainda se incomoda com alguns pensamentos, mas uma rápida oração é o suficiente para acalmá-lo.
ENQUANTO É TEMPO
"O Roberto e a Luciana não têm ideia do quanto eles encorajam, até hoje, as pessoas", conta a educadora Maura Carvalho, que fundou, em 1996, a Astoc (Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo), junto com outras três mães.
Comum entre os jovens com o transtorno, a vergonha e a discrição, na verdade, só atrapalham. Quanto mais tarde o TOC for diagnosticado, mais difícil fica controlá-lo.
"O primeiro remédio é, na verdade, a informação", explica. De acordo com a educadora, é importante que as famílias e as escolas estejam atentas e preparadas para dar suporte e tornar tudo o mais natural possível.
"Se o Rei tem TOC, qual é o problema de nossos filhos e alunos terem, poxa?", acrescenta, entre risos.
* Nomes fictícios
Todos os dias, antes de dormir, andressa, 23, faz omesmo ritual com o par de chinelos..
primeiro, checa se as solas estão sem sujeirinhas
depois, posiciona o par sobre a risca formada entre os pisos e começa a contagem...
..."um, dois, um, dois, um dois", tocando o chinelo com os dedos
se, durante o ritual, ela ouve um barulho, é preciso recomeçar...
TIRA-TEIMA
Antes de procurar ajuda, avalie o seu comportamento
É TOC
Não conseguir sair do chuveiro até se ensaboar por um número determinado de vezes
Dar repetidas batidinhas em portas ou em maçanetas
Não sair do lugar até que os cadarços dos tênis estejam amarrados simetricamente
NÃO É TOC
Gastar 20 minutos lavando e cuidando dos cabelos todos os dias antes de ir para a escola
Repetir uma música até decorar a letra ou ver inúmeras vezes um vídeo engraçado
Deixar o guarda-roupa e as gavetas arrumados antes de sair de casa
SOS TOC
Grupos de apoio e orientação de tratamento
ASTOC - SÃO PAULO
www.astoc.org.br
RIOSTOC - RIO DE JANEIRO
www.riostoc.org.br
AGATOC - PORTO ALEGRE
agatoc@hotmail.com
ASTOCPE - RECIFE
astocpe@gmail.com
CASOS ANTIGOS DE TOC EM FAMOSOS, COMO O DO CANTOR ROBERTO CARLOS, ENCORAJAM ADOLESCENTES A PROCURAR TRATAMENTO
| Alexandre Rezende/Folhapress |
MAYRA MALDJIAN
DE SÃO PAULO
Inquieta, Andressa Freitas de Souza, 23, bota-se de pé. "Sabe o que é? Se eu não lavar as mãos, não vou conseguir conversar com você."
A garota vê sujeira onde, aparentemente, não há. "Se eu tocar no chão, no rejunte dos pisos, por exemplo, acho que vou me contaminar".
A aflição só passa quando ela abre a torneira da cozinha: "Senão a mente trava", explica, esfregando as mãos com detergente.
Andressa tem TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), um distúrbio mental que afeta cerca de 4 milhões de jovens e adultos no Brasil. "A obsessão é aquele pensamento, mesmo sem sentido, que a pessoa não consegue tirar da cabeça. E a compulsão é o ritual feito para afastá-lo", explica Ana Hounie, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo.
De acordo com a especialista, qualquer um pode desenvolver o TOC. E, muitas vezes, os primeiros sinais despontam na adolescência.
CHEIOS DE MANIAS
Prisioneira de inúmeras manias, que se acumularam e se substituíram, Andressa começou a ir mal na faculdade de enfermagem e largou tudo no segundo semestre.
"Quando ia estudar, era o caderno deste jeito, a caneta assim, o estojo ali... Insuportável." Como se não bastasse a fissura pela higiene, ela também se apega à simetria.
No ano seguinte, aos 19, a mãe chegou em casa afobada, sacudindo uma revista: "Olha, Andressa, você tem a mesma coisa que o Roberto Carlos!".
A revista, que já era antiga, contava que o cantor não saía de um lugar pela porta que entrou, não usava marrom e não dizia palavras negativas: parou até de cantar um de seus sucessos, "Quero Que Vá Tudo pro Inferno".
Preocupada, Andressa começou a pesquisar sobre o TOC e encontrou outro caso famoso, o da modelo e atriz Luciana Vendramini. Ela ficou entre 1999 e 2003 sem trabalhar, tempo que levou para vencer a doença. No início, ela só conseguia dormir depois de ver três táxis amarelos. No auge, ficou dez horas no chuveiro, esperando um pensamento bom vir à mente.
De imediato, Andressa procurou um psiquiatra e começou a se tratar com remédios. "Quando ele me disse que o TOC não tinha cura, eu comecei a chorar", lembra.
Há um ano, Diogo*, 12, também encara o tratamento recomendado -medicamentos (como antidepressivos) e terapia. Ele é da turma da limpeza, mas nada o atrapalha na escola, já que a região "contaminada" está em casa. Discreto, diz que não quer "parecer estranho". Às vezes, o transtorno é tão intenso que chega a afastar seus portadores até de pessoas queridas. É o caso de João*, 19, que quando era criança não conseguia tocar na irmã, porque algo dentro da sua cabeça dizia que ela era "suja".
Naquele tempo, criou outro comportamento repetitivo: engolir saliva olhando para cima, "para não absorver algo do inferno". Aos 17, "achava que minha mãe ia morrer e rezava para isso não se concretizar".
Hoje, no segundo tratamento, ainda se incomoda com alguns pensamentos, mas uma rápida oração é o suficiente para acalmá-lo.
ENQUANTO É TEMPO
"O Roberto e a Luciana não têm ideia do quanto eles encorajam, até hoje, as pessoas", conta a educadora Maura Carvalho, que fundou, em 1996, a Astoc (Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo), junto com outras três mães.
Comum entre os jovens com o transtorno, a vergonha e a discrição, na verdade, só atrapalham. Quanto mais tarde o TOC for diagnosticado, mais difícil fica controlá-lo.
"O primeiro remédio é, na verdade, a informação", explica. De acordo com a educadora, é importante que as famílias e as escolas estejam atentas e preparadas para dar suporte e tornar tudo o mais natural possível.
"Se o Rei tem TOC, qual é o problema de nossos filhos e alunos terem, poxa?", acrescenta, entre risos.
* Nomes fictícios
Todos os dias, antes de dormir, andressa, 23, faz omesmo ritual com o par de chinelos..
primeiro, checa se as solas estão sem sujeirinhas
depois, posiciona o par sobre a risca formada entre os pisos e começa a contagem...
..."um, dois, um, dois, um dois", tocando o chinelo com os dedos
se, durante o ritual, ela ouve um barulho, é preciso recomeçar...
TIRA-TEIMA
Antes de procurar ajuda, avalie o seu comportamento
É TOC
NÃO É TOC
SOS TOC
Grupos de apoio e orientação de tratamento
ASTOC - SÃO PAULO
www.astoc.org.br
RIOSTOC - RIO DE JANEIRO
www.riostoc.org.br
AGATOC - PORTO ALEGRE
agatoc@hotmail.com
ASTOCPE - RECIFE
astocpe@gmail.com
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Sobre o TDAH
A entrevista abaixo, do colega Mineiro Claudio Costa, aborda o TDAH. Para nós importa saber que até 50% das crianças que têm síndrome de Tourette, podem apresentar também TDAH. A comorbidade com TOC também é relativamente alta.
Cliquem no link para a entrevista
Cliquem no link para a entrevista
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Novo ambulatório para síndrome de Tourette no IPQ- HC- FMUSP
Estamos iniciando um ambulatório para atendimento da síndrome de
Tourette na infância e adolescência.
O atendimento será realizado nas segundas-feiras, das 10 às 13h, a
partir de 29 de agosto, no ambulatório de Psiquiatria Infantil do
HC-IPQ- FMUSP.
idade dos pacientes: até 17 anos.
Para marcar: a pré-triagem será feita pelo registro do HC: fone (11) 2661-6440. Os casos que passarem por essa triagem serão agendados para consulta com Dra Ana Hounie e/ou sua equipe. Os casos que forem
encaminhados pela psicóloga Sonia Borcatto, do PROTOC, não precisam de
triagem telefônica, pois já estarão triados por ela.
Perguntas/ orientação para a pré-triagem :
O que é a síndrome de Tourette?
É a presença de tiques motores e vocais.
O que são tiques?
Tiques ou cacoetes são movimentos rápidos e bruscos, difíceis
de serem controlados. Em geral começam na infância. Se os tiques
começaram há mais de um ano e atrapalham a vida do indivíduo, pode ser
necessária uma avaliação para ver se há indicação de tratamento.
Exemplos:
Tiques mais comuns
1) Motores
Simples:
piscar os olhos
virar a cabeça
rodar ou levantar os ombros
caretas e movimento de torção do nariz e boca
trincar os dentes
chutar
gestos com as mãos, obscenos ou agressivos (se bater ou se beliscar)
Complexos:
gestos faciais ou morder os lábios
estiramento da língua
bater palmas
atirar objetos
empurrar
tocar ou bater em partes do corpo
pular, bater o pé, rodar ao andar, girar e retorcer-se
lamber mãos, dedos ou objetos,
escrever a mesma letra ou palavra
retroceder sobre os próprios passos
2) Vocais
Simples:
coçar a garganta
fungar ou cuspir
cacarejar, latir, grunhir e uivar
roncar, chiar, apitar, gritar, gemer e assobiar
Complexos:
Mudança brusca no ritmo ou no volume da fala
Expressões obscenas -palavrões (coprolalia), repetir a mesma palavra várias vezes (palilalia) ou repetir palavras que outros disseram (ecolalia)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Tourette no Zero Hora
Bem-estar | 07/08/2011 | 08h11min
Tiques: por trás de gestos repetitivos e cacoetes pode estar uma doença crônica
Conheça as histórias de quem conseguiu superar o problema
Kamila Almeida | kamila.almeida@zerohora.com.brA estranheza que os gestos e as falas de Paula causavam nas pessoas fez com que a gaúcha de 31 anos vivesse dois anos saindo de casa apenas para o essencial. Os tiques que tanto envergonhavam a mulher, que pediu para ter o nome verdadeiro preservado, apareceram pela primeira vez aos 19 anos, com um piscar de olhos excessivo. A medicação indicada teve efeito inverso. Surgiram espasmos nos braços e nas pernas e alterações vocais. Os trejeitos nem incomodavam tanto a jovem, não fosse os olhares preconceituosos que a cercavam.
— É comum me perguntarem na rua se preciso de ajuda. Aprendi a conviver e nem ligo mais. Meus pais pediam para eu me acalmar, porque achavam que era ansiedade. Meu ex-marido insistia para eu me controlar em locais públicos — desabafa Paula,que se indignava em ter de repetir que não fazia caretas e emitia ruídos por vontade própria ou nervosismo.
Até Paula encontrar um diagnóstico correto, se passaram seis anos. Em 2005, recebeu o diagnóstico de Síndrome de Tourette. Já tomou 30 tipos de remédios, mas não está curada.
O problema de Paula atinge 1% da população e pode ter várias classificações. Mas esse número pode ser maior: só os casos mais graves são contabilizados, quando os pacientes procuram ajuda médica. A coordenadora do Departamento Científico do Transtorno do Movimento da Academia Brasileira de Neurologia, Vanderci Borges, lança um desafio:
— É comum conhecermos alguém que faz gestos repetitivos, que podem ser motores, como um balançar de cabeça ou um piscar de olhos constante, ou vocais, como pigarrear ou repetir palavras — destaca a especialista.
Os tiques tendem a ser mais prejudiciais pelo preconceito que a rodeia do que pelos sintomas em si. A psiquiatra Ana Hounie, autora do livro Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette, um manual para pacientes, seus familiares, educadores e profissionais de saúde (Artmed, 2005) destaca que, apesar de corriqueira,ainda é pouco entendida pela população:
— A expressão tique nervoso é mentirosa. A ansiedade aumenta os ataques, mas alguém não começa a ter tiques depois de um forte estresse se já não tiver a doença no seu DNA — avalia.
Doença ainda obscura para a ciência, os tiques são desencadeados pela produção excessiva de dopamina, um dos principais neurotransmissores cerebrais. Essa disfunção pode ser desencadeada na infância, por infecções, ou mesmo com o uso de substâncias psicoativas, como a cocaína, mas depende de pré-disposição genética. Ainda não existe um medicamento específico para conter as crises. Drogas para doenças psicológicas e anti-hipertensivos são algumas alternativas.Como quanto maior a potência do medicamento, mais chances de efeitos colaterais, recomenda-se que eles só sejam receitados quando a convivência social do paciente e a autoestima estiverem abaladas.
— O melhor remédio é orientar quem cerca a pessoa, principalmente na fase escolar para evitar que a criança seja vítima de bullying — diz o coordenador do ambulatório de Distúrbios do Movimento do Hospital São Lucas da PUCRS, André Dalbem.
Afastando o preconceito
Não tem outro jeito de reverter o preconceito senão entender a doença. Até no Aurélio, dicionário da língua portuguesa, o primeiro significado que aparece para tique é “hábito ridículo”. Neurologistas e psiquiatras explicam que não se trata de um costume, mas sim de uma disfunção de uma área cerebral responsável pelos movimentos.
— Ele tem uma lógica funcional. O que o torna anormal é a repetição frequente. A pessoa até consegue se controlar, mas há uma necessidade imensa que faz com que ela se solte e faça os movimentos em maior quantidade — diz Carlos Mello Rieder, coordenador do Ambulatório dos Distúrbios do Movimento do Hospital de Clínicas da Capital.
O analista de sistemas Rafael Ligocki Silva, 31 anos, é portador da Síndrome de Tourette e nem se importa com o que os outros pensam. Sempre que pode esclarece sobre a doença que o acompanha desde os 13 anos. Como os tiques podem ir mudando e amenizando com o tempo, há três anos Rafael apresenta sinais bem leves: torce o pescoço vez ou outra e realiza movimentos com os pés e tosse constantemente.

Rafael tem Síndrome de Tourette, mas convive bem com o problema
Foto: Tadeu Vilani
Rafael é funcionário público e trabalha em um local bastante silencioso. Sabe que sua tosse pode incomodar as pessoas ao redor e já virou alvo de piadinhas. Na última campanha da empresa contra a tuberculose, dezenas de panfletos foram parar na mesa dele. Estão sempre dizendo: “tu tens que ver o que é essa tosse. Não pode ser normal”. Ele agradece, dizendo que é uma alergia.
— Não é que eu tenha vergonha. Só acho chato explicar toda hora o que eu tenho. E quando você fala que tem uma síndrome, as pessoas já te olham atravessado. Eu até me divirto com isso.
Tiques mais comuns
1) Motores
Simples:
> piscar os olhos
> virar a cabeça
> rodar ou levantar os ombros
> caretas e movimento de torção do nariz e boca
> trincar os dentes
> chutar
> gestos com as mãos, obscenos ou agressivos (se bater ou se beliscar)
Complexos:
> gestos faciais ou morder os lábios
> estiramento da língua
> bater palmas
> atirar objetos
> empurrar
> tocar ou bater em partes do corpo
> pular, bater o pé, rodar ao andar, girar e retorcer-se
> lamber mãos, dedos ou objetos,
> escrever a mesma letra ou palavra
> retroceder sobre os próprios passos
2) Vocais
Simples:
> coçar a garganta
> fungar ou cuspir
> cacarejar, latir, grunhir e uivar
> roncar, chiar, apitar, gritar, gemer e assobiar
Complexos:
> Mudança brusca no ritmo ou no volume da fala
> Expressões obscenas (coprolalia), repetir a mesma palavra várias vezes (palilalia) ou repetir palavras que outros disseram (ecolalia)
> Bloqueio da fala
Classificação
> Transitório: vocal ou motor, simples ou complexo, cuja duração não pode passar de três meses
> Crônico: podem ser motores ou vocais e duram mais de um ano
> Síndrome de Tourette: apresenta tiques motores e vocais, com duração de mais de um ano.
Causas
> Genéticas – A prevalência dos tiques na população é de 1%, mas quando uma pessoa da família é portadora, a chance entre os pares aumenta para 10% e para 70% entre irmãos gêmeos.
> Substâncias – Anfetaminas, cocaína, anticonvulsivantes e antipsicóticos e remédios que agem como estimulantes do sistema nervoso central, como as drogas usadas para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
> Problemas do desenvolvimento – Retardo mental, anormalidades cromossômicas ou autismo.
— É comum me perguntarem na rua se preciso de ajuda. Aprendi a conviver e nem ligo mais. Meus pais pediam para eu me acalmar, porque achavam que era ansiedade. Meu ex-marido insistia para eu me controlar em locais públicos — desabafa Paula,que se indignava em ter de repetir que não fazia caretas e emitia ruídos por vontade própria ou nervosismo.
Até Paula encontrar um diagnóstico correto, se passaram seis anos. Em 2005, recebeu o diagnóstico de Síndrome de Tourette. Já tomou 30 tipos de remédios, mas não está curada.
O problema de Paula atinge 1% da população e pode ter várias classificações. Mas esse número pode ser maior: só os casos mais graves são contabilizados, quando os pacientes procuram ajuda médica. A coordenadora do Departamento Científico do Transtorno do Movimento da Academia Brasileira de Neurologia, Vanderci Borges, lança um desafio:
— É comum conhecermos alguém que faz gestos repetitivos, que podem ser motores, como um balançar de cabeça ou um piscar de olhos constante, ou vocais, como pigarrear ou repetir palavras — destaca a especialista.
Os tiques tendem a ser mais prejudiciais pelo preconceito que a rodeia do que pelos sintomas em si. A psiquiatra Ana Hounie, autora do livro Tiques, Cacoetes, Síndrome de Tourette, um manual para pacientes, seus familiares, educadores e profissionais de saúde (Artmed, 2005) destaca que, apesar de corriqueira,ainda é pouco entendida pela população:
— A expressão tique nervoso é mentirosa. A ansiedade aumenta os ataques, mas alguém não começa a ter tiques depois de um forte estresse se já não tiver a doença no seu DNA — avalia.
Doença ainda obscura para a ciência, os tiques são desencadeados pela produção excessiva de dopamina, um dos principais neurotransmissores cerebrais. Essa disfunção pode ser desencadeada na infância, por infecções, ou mesmo com o uso de substâncias psicoativas, como a cocaína, mas depende de pré-disposição genética. Ainda não existe um medicamento específico para conter as crises. Drogas para doenças psicológicas e anti-hipertensivos são algumas alternativas.Como quanto maior a potência do medicamento, mais chances de efeitos colaterais, recomenda-se que eles só sejam receitados quando a convivência social do paciente e a autoestima estiverem abaladas.
— O melhor remédio é orientar quem cerca a pessoa, principalmente na fase escolar para evitar que a criança seja vítima de bullying — diz o coordenador do ambulatório de Distúrbios do Movimento do Hospital São Lucas da PUCRS, André Dalbem.
Afastando o preconceito
Não tem outro jeito de reverter o preconceito senão entender a doença. Até no Aurélio, dicionário da língua portuguesa, o primeiro significado que aparece para tique é “hábito ridículo”. Neurologistas e psiquiatras explicam que não se trata de um costume, mas sim de uma disfunção de uma área cerebral responsável pelos movimentos.
— Ele tem uma lógica funcional. O que o torna anormal é a repetição frequente. A pessoa até consegue se controlar, mas há uma necessidade imensa que faz com que ela se solte e faça os movimentos em maior quantidade — diz Carlos Mello Rieder, coordenador do Ambulatório dos Distúrbios do Movimento do Hospital de Clínicas da Capital.
O analista de sistemas Rafael Ligocki Silva, 31 anos, é portador da Síndrome de Tourette e nem se importa com o que os outros pensam. Sempre que pode esclarece sobre a doença que o acompanha desde os 13 anos. Como os tiques podem ir mudando e amenizando com o tempo, há três anos Rafael apresenta sinais bem leves: torce o pescoço vez ou outra e realiza movimentos com os pés e tosse constantemente.
Rafael tem Síndrome de Tourette, mas convive bem com o problema
Foto: Tadeu Vilani
Rafael é funcionário público e trabalha em um local bastante silencioso. Sabe que sua tosse pode incomodar as pessoas ao redor e já virou alvo de piadinhas. Na última campanha da empresa contra a tuberculose, dezenas de panfletos foram parar na mesa dele. Estão sempre dizendo: “tu tens que ver o que é essa tosse. Não pode ser normal”. Ele agradece, dizendo que é uma alergia.
— Não é que eu tenha vergonha. Só acho chato explicar toda hora o que eu tenho. E quando você fala que tem uma síndrome, as pessoas já te olham atravessado. Eu até me divirto com isso.
Tiques mais comuns
1) Motores
Simples:
> piscar os olhos
> virar a cabeça
> rodar ou levantar os ombros
> caretas e movimento de torção do nariz e boca
> trincar os dentes
> chutar
> gestos com as mãos, obscenos ou agressivos (se bater ou se beliscar)
Complexos:
> gestos faciais ou morder os lábios
> estiramento da língua
> bater palmas
> atirar objetos
> empurrar
> tocar ou bater em partes do corpo
> pular, bater o pé, rodar ao andar, girar e retorcer-se
> lamber mãos, dedos ou objetos,
> escrever a mesma letra ou palavra
> retroceder sobre os próprios passos
2) Vocais
Simples:
> coçar a garganta
> fungar ou cuspir
> cacarejar, latir, grunhir e uivar
> roncar, chiar, apitar, gritar, gemer e assobiar
Complexos:
> Mudança brusca no ritmo ou no volume da fala
> Expressões obscenas (coprolalia), repetir a mesma palavra várias vezes (palilalia) ou repetir palavras que outros disseram (ecolalia)
> Bloqueio da fala
Classificação
> Transitório: vocal ou motor, simples ou complexo, cuja duração não pode passar de três meses
> Crônico: podem ser motores ou vocais e duram mais de um ano
> Síndrome de Tourette: apresenta tiques motores e vocais, com duração de mais de um ano.
Causas
> Genéticas – A prevalência dos tiques na população é de 1%, mas quando uma pessoa da família é portadora, a chance entre os pares aumenta para 10% e para 70% entre irmãos gêmeos.
> Substâncias – Anfetaminas, cocaína, anticonvulsivantes e antipsicóticos e remédios que agem como estimulantes do sistema nervoso central, como as drogas usadas para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
> Problemas do desenvolvimento – Retardo mental, anormalidades cromossômicas ou autismo.
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